Atualizado em 19/05/2012
Blog do Marco Aurélio Gonzaga

Qaul a diferença entre inimigo e adversário político?

É absolutamente vital saber distinguir o inimigo do adversário. Os dois são muito diferentes entre si. Enquanto o adversário contenta-se em derrotá-lo, o inimigo só encontra paz destruindo-o.

A política, por sua inescapável natureza competitiva, e mais ainda pela publicidade que assume, é um campo de atividades onde proliferam adversários e inimigos. Só não tem adversário ou cria inimigos quem é politicamente inofensivo. Os que têm ambição e lutam por seus objetivos por certo terão adversários e talvez, ao longo da carreira, adquiram inimigos.

Não é preciso gastar tempo para analisar os adversários: são participantes do jogo da política, competidores por vezes duros e até desleais, mas o que desejam é vencer a eleição e ocupar o cargo. Não os move o ódio pessoal, nem o desejo de destruição, que são sentimentos exclusivos dos inimigos. Já sobre estes sempre há muito o que falar e
ainda mais para aprender. Inimigos podem surgir na vida pessoal e ser transportados para a política - ou podem surgir nesta própria área. Não importa a origem: o inimigo alimenta sempre um sentimento negativo para com você.

Mais fiéis que os amigos

Quando seu inimigo mentir sobre as razões para hostilizá-lo, caberá a você revirar as gavetas da memória e provar que a verdade é outra. Mas o eleitor não vai aprovar a rusga pública Se a origem da animosidade é indiferente, sua razão importa - e muito.

Há inimizades cuja natureza é pessoal. Outras nas quais o porquê é estritamente político. Quando o motivo for pessoal, ele é irremovível.

Inimigos costumam ser mais fiéis que os amigos - e quando a razão da antipatia é privada, ela é nutrida em silêncio, cultivada com o adubo do ódio, cresce e cristaliza-se com o tempo. Ao migrar para o mundo da política, entretanto, a inimizade cobre-se de motivos nobres e elevados para se justificar diante da opinião pública. Deste modo, assume convenientemente a forma de um conflito de interesses e ideias. É preciso, portanto, saber distinguir com clareza a /hostilidade política/ da /inimizade pessoal/ travestida de argumentos ideológicos. O pior que pode lhe acontecer é tratar um inimigo como se fosse um adversário, por um erro de julgamento.

A você não interessa desmascarar o inimigo, mostrando ao eleitorado que a razão da hostilidade não é política, mas pessoal. Porque ou você convence o eleitor, ou não. E, nas duas hipóteses, o resultado lhe é desastroso. Se o fizer crer que a razão é pessoal, as conseqüências atingem você e seu antagonista. Afinal, como provar que seus motivos não são igualmente pessoais? Ao eleitor ficará a sensação de estar sendo envolvido num conflito que não lhe interessa, lhe é irrelevante e ainda depõe contra os políticos que usam eleições para resolver diferenças pessoais.

Também não pense que será fácil convencer o eleitor. Seu inimigo vai insistir que nada há de pessoal na desavença: as diferenças entre vocês, por mais profundas e radicais que sejam -pelo menos da parte dele – são exclusivamente políticas. Então, é você quem fica na obrigação de comprovar que a razão é, sim, pessoal. Em outras palavras, caberá a você a tarefa de remexer baús, buscar lembranças de agravos. Enfim, arrastar o debate político para o campo das desavenças pessoais. De novo, exatamente aquele que não interessa ao eleitor. Portanto, não lhe resta outra alternativa que não seja tratar politicamente o conflito, embora /você/ saiba que a razão é pessoal. Nada a fazer senão vencer a eleição - estando antecipadamente ciente de que, derrotado, o inimigo ficará
ainda mais ressentido e revoltado.

Evite o "faz-de-conta"

Entregue-se à tarefa de destruir politicamente seu inimigo com o mesmo zelo que dedicaria à conquista de suas metas Em síntese, lidar com um conflito pessoal irremovível "fazendo de conta" que se trata de um conflito político é exasperante, psicologicamente oneroso e estrategicamente complicado. A cada crítica recebida, você
decodificará os significados implícitos.

Os sentimentos obscuros que a animaram, sendo desconhecidos pelos demais, parecerão meras críticas políticas. Mas elas lhe atingirão mais profundamente, despertando-lhe o desejo de devolver a agressão e, até, partir para o confronto pessoal e físico. Você viverá permanentemente a sensação de estar sendo vigiado, perseguido e acuado - e, diante do menor erro, o outro estará pronto a explorá-lo impiedosamente. Você precisará conviver com a plena consciência de que, para lhe fazer mal, seu inimigo é capaz de agir contra os próprios interesses. Se ele for verdadeiramente um inimigo duro e irreconciliável, aquele cujas razões têm origem pessoal, pouco ou nada terá a perder, já que seu objetivo é destruí-lo. O inimigo que deve ser evitado é aquele que afirma:

"Mil amigos não são suficientes, um inimigo o é."

Não existe inimigo inofensivo. Maquiavel, assim como outros pensadores da /escola realista/ da política, quando trata desse tipo de inimigo fala em /"destruí-lo"/, mas na acepção literal do termo: /"matá-lo"/, o que, em outras épocas e sistemas políticos, constituía uma prática política adotada sem maiores escrúpulos. Foi com esse espírito que o general e governante português, Ramón Narvaez (1800/1868), no leito de morte, respondeu assim a pergunta do sacerdote sobre perdoar seus desafetos:

"Eu não perdoo meus inimigos, já os matei todos."

Mas numa sociedade moderna e civilizada, num estado de direito, numa democracia, a política se desenvolve dentro de limites que repudiam, condenam e punem práticas brutais, tão típicas da fase renascentista. Portanto, quando se fala em /"destruir"/ o inimigo, isto significa derrotá-lo politicamente, retirar-lhe o espaço de manobra e evitar sua recuperação, removendo-o do mundo político dentro das normas legais democráticas e do respeito aos direitos e garantias individuais.

Trata-se, pois, de uma destruição política - não pessoal -, da subtração pela falta de meios necessários para participar do jogo político. Dedique-se a esta tarefa com o mesmo zelo que dedicaria à conquista de suas metas.
Distantes e bem vigiados

Os feitos de César Bórgia inspiraram Maquiavel, que imputou-lhe um único, porém fatal, erro estratégico: iludir-se com os inimigos Por fim, não caia no engodo de tentar mudar seus inimigos e de, se não conseguir torná-los amigos, pelo menos neutralizá-los. Será pior. Se eles forem verdadeiramente inimigos, interpretarão o gesto como fraqueza, algo revelador do medo que você tem deles. Poderão fingir que aceitam a aproximação para conhecer melhor seus pontos fracos, segredos e carências, para atacá-lo no momento em que estiver mais vulnerável. Já os adversários você pode tentar modificar e até transformar em amigos, principalmente se os procurar quando os tiver vencido.

Quanto aos inimigos, a melhor política é mantê-los à distância e bem vigiados. Saiba sempre onde estão, com quem se encontram, o que dizem, em quem confiam e, se possível, quais são seus planos. Tais cuidados são necessários porque os inimigos nunca esquecem. Em /O Príncipe/, o clássico do poder cuja inspiração foram as realizações do governante e duque italiano César Bórgia (1475/1507), Maquiavel vaticina, sobre o queclassificou como o "único erro" cometido pelo líder renascentista, notório por seu calculismo, sua ambição e truculência: "Quem pensa que, entre personagens importantes, novos benefícios fazem esquecer antigas injúrias, se engana." 
(*) Francisco Ferraz, em Política & Políticos
Atualizado em 19/05/2012
Blog do Marco Aurélio Gonzaga

PISTOLAGEM: MAIS DE UM ASSASSINATO POR MÊS

MAIS DE UM ASSASSINATO POR MÊS
Foram executados três empresários, um político, um advogado, um líder rural, um jornalista e uma líder indígena

POR OSWALDO VIVIANI
Oito pessoas já morreram no Maranhão, vítimas de crimes de pistolagem, de outubro do ano passado até abril deste ano. Isso significa uma média de mais de um homicídio por encomenda por mês. No levantamento, o Jornal Pequeno não considerou casos de prováveis acertos de contas entre criminosos. Dos oito assassinatos por encomenda em sete meses, três ocorreram na capital do estado, São Luís. Os outros cinco aconteceram em São José de Ribamar, São José dos Basílios, Gonçalves Dias, Buriticupu e Grajaú. Morreram três empresários, um político, um advogado, um líder rural, um jornalista e uma líder indígena.
A delegada-geral de Polícia Civil do Maranhão, Maria Cristina Resende Meneses, afirmou na sexta-feira (4), em entrevista à TV Mirante – do grupo de Comunicação em que trabalhava o jornalista Décio Sá, assassinado a tiros no último dia 23 – que a maioria desses crimes 'não é de pistolagem' (veja texto em destaque).
Cova rasa – O primeiro assassinato de pistolagem nos últimos sete meses aconteceu em 14 de outubro do ano passado, em São José de Ribamar. Naquele dia, o empresário da construção civil Marggion Lanyere Ferreira Andrade, de 45 anos, foi morto com um tiro na nuca e enterrado numa cova rasa, num terreno de sua propriedade, no Araçagi.
A polícia apontou como mandantes do crime o vereador de Paço do Lumiar (município vizinho a São Luís) Edson Arouche Júnior, o 'Júnior do Mojó', 43 anos, e o corretor de imóveis Elias Orlando Nunes Filho, 57, que, segundo a polícia, comandavam um amplo esquema de grilagem de terrenos em São Luís. Marggion teria reagido contra a grilagem de seu terreno e pagou com a vida.
Eleito em 2008 pelo PSL, 'Júnior do Mojó' – que, como Elias Orlando, continua foragido – renunciou ao cargo em 14 de março último.
Foram presos até agora apenas o suposto executor e dois acusados de serem cúmplices do crime: o ex-presidiário Alex Nascimento de Sousa, Roubert Sousa dos Santos e um adolescente, respectivamente.
Ex-prefeito assassinado – O ex-prefeito de São José dos Basílios, Francisco Ferreira Sousa, o 'Chico Riograndense' (DEM), de 69 anos, foi assassinado a tiros, na manhã de 7 de janeiro deste ano, numa estradinha que dá acesso ao município, à altura do povoado Poção.
O ex-prefeito conduzia uma caminhonete Fiat Strada quando foi alcançado por uma moto preta, ocupada por dois homens. A moto emparelhou com a caminhonete e o 'garupa' sacou uma pistola calibre 380, efetuando vários disparos na direção de 'Chico', que foi atingido por ao menos quatro tiros na cabeça.
'Chico Riograndense' estava acompanhado de um trabalhador rural, identificado como Loriel Pereira da Silva, que não sofreu ferimentos graves.
Loriel revelou à polícia as características dos motoqueiros – que não usavam capacetes –, mas até hoje a polícia não divulgou os retratos falados dos criminosos nem prendeu ninguém.
Mortos na própria empresa – Dois empresários, naturais da cidade baiana de Barrocas, foram assassinados por um pistoleiro em São Luís, na tarde de 11 de janeiro. José Mauro Alves de Queiroz, de 57 anos, e José Queiroz Filho, o 'Zezito Queiroz', 68, eram irmãos, e foram mortos dentro da própria empresa da qual eram sócios – a recicladora de óleo Replub Comércio e Indústria de Derivados de Petróleo, localizada no KM 10 da BR-135, no Bairro Maracanã.
O pistoleiro conseguiu chegar ao escritório dos irmãos dizendo-se cliente. Uma vez diante dos empresários, desfechou um tiro na cabeça de José Mauro e dois, também na cabeça, em 'Zezito Queiroz'. O executor fugiu do local na mesma moto em que chegou – uma Honda Bros preta, cuja placa não foi anotada.
A polícia chegou a divulgar o retrato falado do matador, mas até hoje o homicídio não foi elucidado.
Na porta de casa – O advogado criminalista João Ribeiro Lima, 54 anos, morreu no Hospital de Urgência e Emergência de Presidente Dutra, no início da manhã de 14 de março, 12 dias depois de ser atingido no abdômen com um tiro de pistola calibre 380, quando estava sentado na porta de sua casa, no município de Gonçalves Dias.
Os assassinos chegaram numa moto num momento em que faltava luz na cidade. Fizeram dois disparos em direção à vítima – apenas um a atingiu – e fugiram em seguida.
Antes de morrer, João Ribeiro Lima havia procurado a polícia dizendo estar sendo ameaçado de morte.
Emboscada – O líder rural Raimundo Alves Borges, o 'Raimundo Cabeça', de 53 anos, foi morto com três tiros (um na cabeça e dois nas costas) em Buriticupu, no entardecer no dia 14 de abril.
'Cabeça' foi vítima de uma emboscada, numa estradinha de terra, quando se dirigia de Buriticupu ao povoado Casa Azul, onde era presidente da Associação de Moradores.
Em 2 de maio – 18 dias após o crime –, foram presas seis pessoas, acusadas de participação no assassinato: José de Assis Alencar, o 'Zé de Trinta'; Manoel da Silva Oliveira, o 'Manelão' (apontado como executor); Francisco Teixeira Oliveira Filho (que estaria pilotando uma moto usada na execução e fuga); José Ferreira dos Santos, o 'Zé Perez'; Antonio de Sousa Santos (o 'Toinho', filho de 'Zé Perez'); e José de Sousa Ramos Santos,o 'Zequinha'. Os três últimos seriam os mandantes.
De acordo com a polícia, 'Raimundo Cabeça' foi alvo de pistolagem porque grileiros de terras da região de Buriticupu – entre eles, 'Zé Perez' – estavam movendo várias ações de reintegração de posse contra o líder camponês, que se preparava para uma audiência na Justiça.
Jornalista executado – No final da noite de 23 de abril, uma segunda-feira, o jornalista Décio Sá, 42 anos, foi executado com seis tiros – pelo menos três deles na cabeça – por um pistoleiro, no bar Estrela do Mar, na Avenida Litorânea, em São Luís.
Décio trabalhava na área política do jornal O Estado do Maranhão – de propriedade da família Sarney – e mantinha um blog.
A polícia admitiu que o crime foi de encomenda, mas nem o executor nem o(s) mandante(s) foram ainda identificados. Duas pessoas foram presas temporariamente (30 dias) em 26 de abril. Há informações, não confirmadas oficialmente, de outras prisões. As investigações correm sob sigilo – decisão administrativa, não judicial.
Pistolagem na aldeia – Em 28 de abril, a cacique Maria Amélia Pereira Guajajara, 52 anos, também foi assassinada, com dois tiros, na aldeia Coquinho 2, em Grajaú. A aldeia faz parte da Terra Indígena Canabrava, que se estende por três municípios – Grajaú, Barra do Corda e Jenipapo dos Vieiras.
Dois homens que estavam numa moto participaram do crime.
O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Funai, à Polícia Federal e à Polícia Rodoviária Federal que apurem o assassinato.
A cacique pode ter sido vítima dos constantes conflitos na área indígena entre índios e não-índios infiltrados nas aldeias. Maria Amélia era contrária à presença dos forasteiros.
Tráfico de drogas nas aldeias e assaltos na BR-226 – que corta a Terra Canabrava – são constantes e podem ter a ver com o homicídio.
CPI – Uma CPI da Pistolagem pode ser instalada pela Assembleia Legislativa do Maranhão nos próximos dias. A proposta é do deputado Bira do Pindaré (PT). Até a quinta-feira (3), 13 deputados já haviam rubricado o documento. São necessárias catorze assinaturas para que a CPI seja aprovada.
Para delegada-geral, maioria dos crimes não caracteriza pistolagem

A delegada-geral de Polícia Civil do Maranhão, Maria Cristina Resende Meneses, declarou, em entrevista à TV Mirante, na sexta-feira (4), que a maioria dos crimes que ocorreram recentemente no estado 'não é de pistolagem'.
De acordo com a delegada, 'são crimes de encomenda, mas que não caracterizam pistolagem'.
No entender de Maria Cristina Meneses, 'pistolagem é quando grupos atuam para tomada de poder ou manutenção de poder e contratam braços armados' para esses fins.
Em relação aos assassinatos no campo, a delegada disse que 'não há disputas agrárias envolvidas'.
'Trata-se de problemas pessoais entre vizinhos, nos assentamentos, ou de acertos de contas do tráfico de drogas, em áreas indígenas', afirmou Meneses.
(OV)

FONTE: JORNAL PEQUENO
Domingo, 06 de maio de 2012.
Atualizado em 19/05/2012
Blog do Marco Aurélio Gonzaga

Paragominas: Mineração transforma "faroeste" em cidade verde


Mineração transforma 'faroeste' em cidade verde

Antes símbolo do desmatamento, Paragominas vira referência ambiental

Município erradica o analfabetismo adulto e usa royalties para criar a nova atividade que substituirá a mineração
DO ENVIADO A PARAGOMINAS (PA)

Nada se parece com aquele passado obscuro e violento. As calçadas de pedra, a ponte de madeira, as imensas rochas de bauxita postas às margens do belo lago artificial, a infância que brinca ao invés de trabalhar.

O parque linear, que será entregue à população neste mês, deve se transformar num símbolo da mudança que essa cidade paraense, de 100 mil habitantes, vive.

Paragominas já foi a capital do desmatamento. Vista como um "faroeste", a cidade de 47 anos, que surgiu às margens da rodovia Belém-Brasília, converteu-se em "município verde" -um exemplo que virou modelo replicado pelo Estado do Pará.

Vencedora do 9º Prêmio Chico Mendes, para iniciativas ambientais, Paragominas viveu o inferno.

Ali mesmo, às margens da Belém-Brasília, ponto de parada de caminhoneiros, havia de tudo. De prostituição a pistolagem, de trabalho infantil a mendicância.

IPTU E EDUCAÇÃO

A cidade zerou o analfabetismo de adultos ao conceder desconto de 50% do IPTU para quem fosse estudar.

O desmatamento cessou. Quarenta serrarias engoliam 300 quilômetros quadrados de floresta por ano. Hoje, menos de 1,5 quilômetro quadrado é desmatado. Paragominas deixou a lista de desmatadores do governo federal.

A criançada agora se ocupa em projetos sociais, bancados com recursos públicos e da mineração de bauxita. A Hydro já gastou R$ 85 milhões em escolas, em hospitais e no saneamento.

O dinheiro dos royalties rende à cidade cerca de R$ 900 mil por mês.

"Esse dinheiro não entra no custeio da prefeitura. É para investimento. Uma lei determina também que em cinco anos parte do recurso comece a ser gasta no desenvolvimento de outras atividades econômicas que substituirão a mineração", afirma o prefeito de Paragominas, Adnam Demarchki (PSDB).

A exploração ilegal da madeira é passado. Crescem o reflorestamento e a produção de grãos e indústrias, como a fábrica de ração e um frigorífico de pequenos animais.

"A cidade de Paragominas é um caso raro de gestão pública no Brasil", diz Geraldo Brittes, diretor da Hydro. (AB)

Fonte: Folha de São Paulo.
Domingo, 6 de maio de 2012.
Atualizado em 19/05/2012
Blog do Marco Aurélio Gonzaga

O BRASIL QUE MAIS CRESCE


Em 5 anos, Pará deve ser líder em minérios
Expectativa é que Estado supere Minas Gerais como o maior produtor do país, após receber investimentos de US$ 41 bi
Exportação de minério do Estado alcança US$ 13,7 bi em 2011, o equivalente a 44% do saldo comercial do país
Juca Varella/Folhapress
Mineração de bauxita em Paragominas (PA)
Mineração de bauxita em Paragominas (PA)

AGNALDO BRITO
ENVIADO ESPECIAL A PARAGOMINAS (PA)
O Pará será em cinco anos a nova Minas Gerais brasileira. É quando o Estado deve assumir a liderança da produção nacional de minérios.
Hoje, Minas Gerais produz 40% dos minerais extraídos no país, e o Pará, 20%.
Mas o fluxo de investimentos previstos para os próximos quatro anos deve dar novo impulso à produção no Estado, proporcionando escala sem precedentes à sua indústria mineral.
Dados do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) indicam que só o Pará vai receber US$ 41 bilhões em novos recursos até 2016.
Desse total, US$ 24 bilhões serão aplicados apenas na exploração mineral, do ferro ao cobre, do níquel ao ouro, da bauxita à cassiterita.
Minerais nobres, como paládio e platina, também fazem parte dessa lista.
DÁDIVA GEOLÓGICA
Geólogos classificam o Pará como "uma dádiva divina". Mas o acaso, que começou há mais de 2 bilhões de anos, fez do Estado a maior região do mundo em variedade mineral. Uma riqueza, porém, que nem o governo do Pará sabe quantificar.
"Há cerca de mil mineradoras atuando no Pará. Conhecemos, no máximo, 50. Há um total desconhecimento sobre o que está acontecendo em termos de exploração no Estado", diz David Leal, secretário de Mineração.
O Estado também reconhece que o Pará pode, pela falta de política, de logística, de fiscalização e de organização da gestão pública, estar sendo saqueado em milhões ou até bilhões de reais.
Sobre o que é controlado, o Estado registrou um salto relevante entre 2010 e 2011. Os royalties gerados na exploração renderam quase R$ 150 milhões a mais em um ano, ao saltarem de R$ 315 milhões para R$ 462 milhões.
A indústria da mineração exportou, só em matéria-prima, US$ 13,7 bilhões em 2011. Cifra que entrou no Brasil e ajudou o país a engordar o saldo da balança comercial.
Só a mineração paraense exportou o equivalente a 44% do superavit total do país, de US$ 29 bilhões em 2011.
E mais projetos para exportação estão a caminho.
A Hydro Brasil, empresa que assumiu a mina de bauxita da Vale, em Paragominas, vai investir US$ 1 bilhão para aumentar de 10 milhões para 15 milhões de toneladas a capacidade de produção da mina. O projeto também vai viabilizar uma nova refinaria de alumina, em Barcarena. ESCE

Em 5 anos, Pará deve ser líder em minérios

Expectativa é que Estado supere Minas Gerais como o maior produtor do país, após receber investimentos de US$ 41 bi

Exportação de minério do Estado alcança US$ 13,7 bi em 2011, o equivalente a 44% do saldo comercial do país

Juca Varella/Folhapress
Mineração de bauxita em Paragominas (PA)
Mineração de bauxita em Paragominas (PA)

AGNALDO BRITO
ENVIADO ESPECIAL A PARAGOMINAS (PA)

O Pará será em cinco anos a nova Minas Gerais brasileira. É quando o Estado deve assumir a liderança da produção nacional de minérios.

Hoje, Minas Gerais produz 40% dos minerais extraídos no país, e o Pará, 20%.

Mas o fluxo de investimentos previstos para os próximos quatro anos deve dar novo impulso à produção no Estado, proporcionando escala sem precedentes à sua indústria mineral.

Dados do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) indicam que só o Pará vai receber US$ 41 bilhões em novos recursos até 2016.

Desse total, US$ 24 bilhões serão aplicados apenas na exploração mineral, do ferro ao cobre, do níquel ao ouro, da bauxita à cassiterita.

Minerais nobres, como paládio e platina, também fazem parte dessa lista.

DÁDIVA GEOLÓGICA

Geólogos classificam o Pará como "uma dádiva divina". Mas o acaso, que começou há mais de 2 bilhões de anos, fez do Estado a maior região do mundo em variedade mineral. Uma riqueza, porém, que nem o governo do Pará sabe quantificar.

"Há cerca de mil mineradoras atuando no Pará. Conhecemos, no máximo, 50. Há um total desconhecimento sobre o que está acontecendo em termos de exploração no Estado", diz David Leal, secretário de Mineração.

O Estado também reconhece que o Pará pode, pela falta de política, de logística, de fiscalização e de organização da gestão pública, estar sendo saqueado em milhões ou até bilhões de reais.

Sobre o que é controlado, o Estado registrou um salto relevante entre 2010 e 2011. Os royalties gerados na exploração renderam quase R$ 150 milhões a mais em um ano, ao saltarem de R$ 315 milhões para R$ 462 milhões.

A indústria da mineração exportou, só em matéria-prima, US$ 13,7 bilhões em 2011. Cifra que entrou no Brasil e ajudou o país a engordar o saldo da balança comercial.

Só a mineração paraense exportou o equivalente a 44% do superavit total do país, de US$ 29 bilhões em 2011.

E mais projetos para exportação estão a caminho.

A Hydro Brasil, empresa que assumiu a mina de bauxita da Vale, em Paragominas, vai investir US$ 1 bilhão para aumentar de 10 milhões para 15 milhões de toneladas a capacidade de produção da mina. O projeto também vai viabilizar uma nova refinaria de alumina, em Barcarena.

Fonte: FOLHA DE S. PAULO
Domingo, 6 de maio de 2012.
Atualizado em 19/05/2012
Blog do Marco Aurélio Gonzaga

Onde a vida não vale nada

Onde a vida não valia nada


Sociólogo lembra situações que viveu em rincões do Brasil nos quais posseiros mandavam matar e não raro acabavam mortos

Fonte: O Estado de São Paulo.
Autor: José de Souza Martins

Mal desci do ônibus e entrei no armazém para tomar um café quando o sujeito veio por trás de mim e com o braço esquerdo me deu uma gravata, imobilizando-me pelo pescoço, quase me sufocando. Ao mesmo tempo, com a mão direita, procurava a faca de ponta escondida atrás das costas e enfiada por dentro da cintura, como é costume no sertão. E anunciava: “Vou te matar”. As pessoas que estavam por perto, num segundo, sumiram. Ficamos só nós dois sob o telheiro, chão de terra batida, onde um ônibus caindo aos pedaços fazia uma parada para merenda dos passageiros, na viagem de um dia inteiro entre Barra do Garças e São Félix do Araguaia, no Mato Grosso. O lugar ermo, perdido no campo, à beira da poeirenta estrada de terra, tinha o simpático nome de Bate-Papo.
Veja também:
link Cabeças a prêmio
Tentei me desvencilhar do aperto e não consegui. O caboclo magro, de meia-idade, estava ligeiramente embriagado. Daí a dificuldade para encontrar a faca. Provavelmente ele estava ali havia um bom tempo, esperando o ônibus chegar. “Você é o bispo! Vou te matar!”, insistia. Expliquei-lhe, com a calma possível, que estava enganado. Eu não era o bispo. Ele teimava. Disse-lhe que era um professor, que estava apenas visitando a região. Ele duvidava e não me soltava. Fui levando a conversa com o fôlego que restava, tentando convencê-lo a me soltar e a tomar um café comigo. Ele foi relaxando e finalmente escapei. Mas ele queria me pagar um uísque. Recusei, dizendo-lhe que era crente e insisti no café, o que acabou convencendo-o de que eu não era mesmo o bispo, que ele supostamente devia matar.
Na verdade, eu estava indo para a casa do bispo, onde me hospedaria. Era nos meados dos anos 70. Dom Pedro Casaldáliga era uma das figuras da Igreja mais visadas e mais ameaçadas de morte, decorrência de suas posições claras no apoio a índios em risco de expulsão de seus territórios e posseiros expulsos da terra, em grande número, com alta incidência de assassinatos cometidos por pistoleiros a serviço das novas fazendas que na vasta região se instalavam. Ali, a vida não valia nada. Nem a do bispo.
Por essa época, estive também no Maranhão, no Vale do Pindaré, região em que, como no Mato Grosso, era violenta a luta pela terra, violência que, de vários modos ainda continua. Os alvos eram posseiros pobres, expulsos da terra a ferro e fogo por pistoleiros contratados para “limpar a terra”, deixá-la livre de embaraços e pretensões de direitos. Alojei-me numa das míseras pensões, comuns no sertão e nas áreas de desbravamento. Deram-me um quartinho, lá nos fundos, onde armei minha rede, a janela fechada, para na semiobscuridade rever minhas notas e meu plano de trabalho. Eu estava fazendo solitária e extensa pesquisa sobre a luta pela terra e as violações de direitos em toda a chamada Amazônia Legal.
Depois de um tempo, ouvi uma conversa que ocorria num alpendre a alguma distância. Parecia conversa inócua. Não era. Dava impressão de ser uma trama. Não se mencionavam nomes nem propósitos explícitos. Parecia uma dessas conversas de botequim, referidas a pessoas hipotéticas, nada para se levar a sério. Olhei por uma fresta da janela e vi de frente um homem (os outros estavam de costas) que logo saberia ser um dos grileiros da região, envolvido em feroz disputa com posseiros. No dia seguinte, mudei para um tijupar de armazenamento de arroz num povoado próximo, onde estava o foco de minha pesquisa naquela área. Fui acolhido e apoiado pelo líder da resistência dos posseiros. Meses depois, soube que ele fora assassinado e que o mandante era o homem que eu vira pela fresta da janela, conversando com o grupo. Provavelmente, sem me dar conta, eu presenciara o trato de pistolagem que resultaria na morte do trabalhador que me acolhera. Algum tempo depois, o próprio grileiro e mandante foi morto.
Em outro lugar, nos confins do Maranhão, próximo à divisa do Pará, cheguei de carona. Lá, a coisa era brava. Um único grileiro tentava expulsar da terra centenas de famílias ali estabelecidas havia tempo, plantadoras de arroz. Era a região em que, anos depois, passaria a Estrada de Ferro de Carajás. As casas eram simples, de pau a pique ou de adobe, chão de terra batida, na porta apenas esteiras para proteger os de dentro do olhar dos de fora. Ninguém dizia nada. Só me indicaram um trabalhador que, tempos antes havia sido surrado por pistoleiros - pai e filhos - residentes no local, a serviço do grileiro.
Já haviam praticado violência contra outros moradores. Fui conversar com ele. Humilhado e assustado, estava de saída. Já havia retirado a família e voltara apenas para buscar o que restava. Narrou-me detalhes da tortura. Fora subjugado e amarrado sobre um formigueiro de formigas de fogo, permanecendo nesse martírio durante horas, à vista de todos, mesmo de crianças, sem que ninguém se sentisse encorajado a fazer o que quer que fosse. As próprias crianças, aterrorizadas, me haviam descrito a cena.
Sem que eu soubesse, vários moradores do povoado, cansados de violência e humilhação, fizeram chegar ao conhecimento da família de pistoleiros que havia chegado um estranho na camioneta do Serviço da Malária e que eu provavelmente viera de Brasília para saber o que eles andaram aprontando. Procuravam usar-me para assustar os pistoleiros e não levaram em conta minha vulnerabilidade nem meu medo, embora, logo ao chegar eu lhes tivesse explicado que ali estava para fazer uma pesquisa sobre a situação em que se encontravam.
Não demorou para que o chefe dos pistoleiros, o pai da família, mandasse convidar-me para visitá-lo. Foi o que fiz, pois era a oportunidade de ouvir um personagem chave dos casos de violência que estudava. Rodeado pelos filhos, adultos, sentados pelo chão e na soleira da porta, mandou que eu entrasse e quase sussurrando foi dizendo-se vítima de injustiça. Falavam dele, acusavam-no de atos violentos que não cometera, dizia-se trabalhador como os outros. Quase choramingava. Um estranho, que fazia perguntas não a ele, mas a vítimas de pessoas como ele, só podia representar um poder que não era o mesmo do qual ele fazia parte. Ele tinha consciência da marginalidade que representava e temia em mim o perigo que intuía, mas desconhecia. Perigo que não era real: eu era apenas um pesquisador, vinculado a uma universidade que no mesmo momento sofria a repressão do poder que o pistoleiro temia.
Passei por algumas outras situações semelhantes. Em todas a prudência recomendou-me que encerrasse o trabalho e saísse do lugar o mais depressa possível. Esse caso, em particular, me indicava que a pistolagem faz parte de um sistema paralelo de poder, assentado sobre extenso conjunto de ilícitos, que vai da grilagem de terras ao emprego de trabalho escravo em regiões remotas do país. Principalmente na derrubada da mata para formação de novas fazendas. Grileiro e pistoleiros agiam seguros da cobertura necessária à impunidade e a reação de temor e subserviência das vítimas confirmava a certeza de um poder oculto que os respaldava.
JOSÉ DE SOUZA MARTINS É SOCIÓLOGO E PROFESSOR EMÉRITO DA FACULDADE DE FILOSOFIA DA USP. ENTRE OUTROS LIVROS, É AUTOR DE FRONTEIRA - A DEGRADAÇÃO DO OUTRO NOS CONFINS DO HUMANO (CONTEXTO, 2009)
Atualizado em 19/05/2012
Blog do Marco Aurélio Gonzaga

Pistolagem: Cabeças a prêmio

Mônica Manir, de O Estado de S. Paulo

Diz que foi por R$ 50 mil que sete perderam a vida em Doverlândia. O planejado – suspeita-se – era matar um só, Lázaro de Oliveira Costa, proprietário de terra e ex-presidente do Sindicato Rural da cidade goiana. Mas a degola sobrou para seu filho Leopoldo, para um vaqueiro e para dois casais que estavam na fazenda errada e na hora errada, nesse crime de pistolagem que aterrorizou o noticiário desde sábado retrasado, 28 de abril.
Aparecido Souza Alves, acusado de participar da chacina de sete pessoas em Doverlândia, é algemado - Sebastiano Nogueira/O Popular
Sebastiano Nogueira/O Popular
Aparecido Souza Alves, acusado de participar da chacina de sete pessoas em Doverlândia, é algemado
Até agora apenas um assumiu o assassinato: Aparecido Souza Alves, moço de 22 anos, pego em flagrante no dia seguinte com um celular e uma carabina que pertenciam a Lázaro, mais roupas e um par de tênis tingidos de sangue. Aparecido dedou Alcides do Supermercado, futuro sogro de Leopoldo, como mandante da chacina e apontou um sobrinho do fazendeiro e um pistoleiro como seus comparsas. Alcides e o sobrinho foram presos, mas negam qualquer centavo de participação.
Se o assassinato tem mandante, mandado, vítima e dinheiro envolvidos, eis um crime de pistolagem, diz César Barreira. Estudioso dos crimes por encomenda, nome inclusive de um livro seu, ele explica que um é sinônimo do outro, mas que ambos estão tomando forma difusa nos últimos tempos. “A pistolagem era típica de disputas por terra e voto, porém hoje também serve para resolver conflitos com vizinhos ou para cobrar pequenas dívidas.”
O pistoleiro mudou de perfil – “qualquer pirangueiro pode ser um” –, o cavalo foi trocado pela moto, o meio rural foi engolido pelo urbano e surgiu até um corretor na história. No entanto, a impunidade, a intolerância e a banalização da vida continuam presentes nesse tipo de crime que vigora no Brasil desde o século 19 e que César Barreira, sociólogo cearense, professor da Universidade Federal do Ceará e coordenador do Laboratório de Estudos da Violência da mesma universidade, reconstitui a seguir.
Quão comum é o crime de pistolagem no Brasil?
Mais que falar da frequência com que acontece, acho importante definir crime de pistolagem. Do ponto de vista sociológico, o crime de pistolagem tem personagens bem definidos: um deles é o mandante ou autor intelectual; o outro é o pistoleiro ou autor material do crime. A vítima também não é qualquer vítima. Ela sempre faz parte de alguma disputa. Esse crime tem, então, esses três vértices.
Crime de pistolagem é o mesmo que crime por encomenda?
São a mesma coisa. Todo crime de pistolagem é fruto de um acordo entre uma pessoa que paga a ação e outro que a executa.
Temos visto mais de um mandante e mais de um pistoleiro. A pistolagem está mudando de feição?
Sim, sua natureza mudou bastante ao longo do tempo. No Brasil, esse crime ocorria com certa frequência até o final do século 19, e no início do século passado também era mais ou menos importante. Mas ele volta com força na década de 80, quando começam a ser conhecidos casos de crimes por encomenda ligados à liderança no campo. Dois deles se tornaram nacional e internacionalmente famosos, e são paradigmáticos para definir esse tipo de assassinato: o do Chico Mendes, líder no Acre, morto em 1988, e o da camponesa Margarida Alves, da Paraíba, baleada em 1983. Margarida comandava todo um trabalho nos sindicatos no interior do Estado, principalmente na região de Guarabira. Lutava pelo direito dos trabalhadores rurais. Ficou muito conhecida e foi muito perseguida pelos proprietários de terra. Um deles contratou um pistoleiro para matá-la.
Nessa época políticos também eram muito visados, não?
Sim, teve um caso conhecido no Estado de Alagoas em que uma pessoa que ficou em primeiro lugar na suplência mandou matar um deputado para que pudesse assumir o cargo. Isso ainda acontece, mas o fato é que na década de 80 o crime por encomenda se vinculou basicamente a duas grandes questões: a terra e o voto. As pessoas foram percebendo claramente quem eram os mandantes. E os pistoleiros ganharam fama, de certa forma se valorizaram, para executar esses crimes.
Como assim?
Eles foram sendo conhecidos, conquistaram terreno com suas habilidades pessoais. Um pistoleiro mais bem preparado era contratado para executar crimes que exigiam mais habilidades. O cálculo para se pagar um pistoleiro era racional e se baseava muito no cacife da vítima. Um bispo, por exemplo, era bastante valorizado na cotação.
Os preços pagos são em geral altos ou, dependendo do caso, o assassino aceita fazer o serviço por um valor simbólico?
Nas décadas de 80 e 90, os preços eram altos, correspondiam a um, dois ou mais salários mínimos. A comparação com os dias de hoje fica um pouco difícil não só porque houve mudança da moeda, mas porque, no início dos anos 2000, o crime por encomenda se diversificou. Tivemos uma mudança no mandante, no pistoleiro, na vítima e nos motivos. Hoje a pessoa resolve dessa forma um conflito com um vizinho ou pequenas dívidas econômicas com o devedor. Acompanhei o caso de uma pessoa aqui em Fortaleza que fez um conserto no carro e não pagou o dono da oficina. O dono da oficina contratou uma pessoa para matá-lo. O mandante também não é mais apenas o grande proprietário rural nem o político. É como se a característica do crime por encomenda tivesse se tornado difusa.
Por que ficou difusa?
Em primeiro lugar, por causa da banalização da vida. Em segundo porque não é verdade que a cordialidade seja nossa característica. Os conflitos pessoais no Brasil são muitas vezes resolvidos com violência, é a justiça feita com as próprias mãos. As pessoas não acreditam no Poder Judiciário e na segurança pública, aí resolvem o problema dessa forma. Por isso a figura do mandante mudou. Temos pequenos comerciantes, moradores da mesma rua...
O que mudou na figura do pistoleiro?
Eles já não são mais aquelas pessoas lendárias e leais ao mandante. Como se diz na gíria popular, qualquer pirangueiro pode ser pistoleiro. Pirangueiro é a pessoa destituída de valores. Antes, quando eu entrevistava os delegados, eles diziam: “Professor, nós sabemos quem cometeu aquele crime pelas características de como foi cometido”. Hoje não. Tínhamos no século passado o pistoleiro tradicional, ligado diretamente à agricultura, que matava dentro da redondeza de uma propriedade e era protegido pelo dono da terra. Depois vemos surgir o matador free-lancer, que não tem a pistolagem como profissão. Pode ser um trabalhador, é um assassino ocasional. O terceiro tipo é o pistoleiro moderno, que mora na periferia das grandes cidades, nas cidades-dormitórios, normalmente sem contato com o mandante porque existe um intermediário.
Esse intermediário tem nome?
Tem: corretor da morte. É um homem dos seus 50 anos, de classe média ou baixa, normalmente ex-policial, que contrata as pessoas na periferia das cidades ou então em cidades do interior, feiras livres, bares. Às vezes encontramos ex-pistoleiros na função de corretor da morte, mas isso é raro de acontecer. Eles têm vida curta.
Os pistoleiros conseguem se estabelecer em algum lugar ou são nômades?
São nômades, porque geralmente são contratados num Estado para cometer o crime em outro. Por isso acabam constituindo várias famílias. Logo depois do assassinato também precisam ficar um pouco escondidos, e aí entram os mandantes novamente, possibilitando a essa pessoa fazer bicos como caminhoneiro, entregador de mercadoria, até desviar a atenção da polícia e o crime cair no esquecimento.
O estilo de matar mudou em relação ao pistoleiro tradicional?
Sim, mudou bastante. Antes, quase todos os crimes de pistolagem eram cometidos em cima de um cavalo, e os assassinos usavam rifle grande, aquele papo-amarelo. Hoje os assassinos surgem de moto, o capacete funciona como disfarce e a arma usada é um revólver.
O crime em Doverlândia foi com degola. Ele foge do padrão?
Foge. Os pistoleiros com quem conversei diziam preferir que as vítimas tivessem uma boa morte. Para eles, a boa morte é um tiro certeiro, a pessoa não sofreria muito. A degola foge do lugar-comum porque os pistoleiros afirmam ser corajosos, não valentes.
Qual a diferença?
Corajoso é o que tem coragem para matar, valente é o que disputa com peixeira, usa faca, enfrenta o outro de peito aberto. Eles dizem ser a mão armada do mandante porque o mandante não tem coragem de fazer o serviço. Mas não são valentes, porque o valente enfrenta a pessoa. Esse caso de Goiás mistura vários aspectos da pistolagem. Usaram o revólver para intimidar as pessoas e a faca para degolar. A faca o pistoleiro não usa – ou não usava.
Também estupraram uma das vítimas. O estupro é coisa comum na pistolagem?
Não é. Os pistoleiros não costumam ter relação com esse campo da sexualidade. Cometem um crime e saem.
Entre os suspeitos, há dois ex-policiais. Não fica claro ainda se são corretores da morte, mas a presença de policiais envolvidos com o crime da pistolagem é recente?
Não é recente, não. Na década de 80 encontrei muitos. Um disse que era pistoleiro e continuaria nesse crime porque era a única maneira de sobreviver. Sabia que tinha muitos inimigos pelo fato de ter prendido várias pessoas. No Estado de Alagoas, em 1994, teve até uma CPI da Pistolagem, e nessa CPI apareceu claramente o envolvimento de ex-policiais.
O que o senhor apreendeu dessa CPI?
Encontraram três dados que me chamaram a atenção: um é essa característica urbana, outro é a presença forte do corretor da morte e um terceiro é que a pistolagem existe em todo o Brasil. São Paulo mesmo tinha um índice muito elevado no Estado.
Há uma CPI da Pistolagem em ebulição na Assembleia Legislativa do Maranhão, motivada especialmente pelo assassinato do jornalista Décio Sá no dia 23 de abril. Chamou atenção nesse assassinato o fato de o matador aparecer de cara limpa no restaurante onde Décio estava. É sinal de certeza de impunidade?
É, tranquilamente, o que de certa forma perdura em homicídios de todo tipo no Brasil, cujas elucidações não chegam a 10%. Na década de 80, não existia um único mandante preso. O mandante do assassinato do Chico Mendes foi preso, mas logo em seguida solto. No caso da Dorothy (Stang), houve um grande avanço. Não demorou muito para o fazendeiro ser condenado. Ele depois foi solto, mas condenado novamente.
No Maranhão, falou-se do temor da volta do crime de pistolagem ao Estado, como se tivesse desaparecido em algum momento.
Isso não é verdade. Ocorre que a pistolagem é muito cíclica. Sobe e desce como uma onda. Acho que isso vem da classificação que a própria imprensa dá aos crimes. Fiz um estudo mostrando que, a partir de um assassinato rotulado pela imprensa como de pistolagem, vários outros foram classificados assim, embora nem todos o fossem. Por outro lado, pode existir o efeito multiplicador.
O senhor reservou um capitulo inteiro sobre literatura de cordel no seu livro Crimes por Encomenda, mas concluiu que o pistoleiro aparece pouco ali. Por quê?
A figura do pistoleiro existe no cordel. Tem o pistoleiro invisível, o pistoleiro bom, mas não é tão comum que ele seja retratado. Pra mim, é para manter a segurança pessoal do cordelista. Ele termina não falando muito pelo fato de correr perigo. Nos poucos livros de cordel que encontrei com esse tema, a primeira estrofe era algo assim: “Quem me contou essa história foi Joaquim José da Silva Xavier”. O cordelista transfere a responsabilidade para outra pessoa.
Quais são as armadilhas quando se pesquisa um tema como esse?
A grande armadilha é que estou trabalhando com uma situação de risco. Por isso sempre uso nomes fictícios. É uma maneira de proteger o informante e a mim. Outra armadilha é do ponto de vista epistemológico. Os pistoleiros são muito cativantes. Tentam explicar tudo dizendo que têm coragem, são vingadores, não concordam com o sistema político. Lembro-me de um que perguntou qual a diferença que eu via no trabalho dele em relação ao de um segurança do presidente: “Se aproxime do presidente e veja se não vão lhe matar”. Também dizem que se sentem honrados de dar melhores condições econômicas para sua família, ou para suas três famílias. Se não fossem pistoleiros, não teriam condições de fazer isso – embora alguns, nessa pistolagem difusa, matem por R$ 50, R$ 100. O fato é que são o elo fraco da relação. Costumo dizer que o pistoleiro é a ponta do iceberg, o que aparece. Por trás de tudo isso é que está todo o poder.
Atualizado em 19/05/2012
Blog do Marco Aurélio Gonzaga

A esquerda pisca para a direita

 

Autor(es): Caudêncio Torquato
O Estado de S. Paulo - 06/05/2012
JORNALISTA, PROFESSOR , TITULAR DA USP, CONSULTOR , POLÍTICO, DE COMUNICAÇÃO Não há mais como escamotear: a era dos conceitos clássicos que banhavam a política está cedendo lugar ao ciclo da personalização, cujos contornos apontam para a prevalência dos indivíduos sobre as ideias, o predomínio da forma sobre o conteúdo. As ideologias, neste início da segunda década do século 21, bifurcam-se na encruzilhada dos desafios de nações às voltas com profunda crise econômica. O continente europeu, berço da civilização democrática, é o cenário mais visível dessa mudaa. Lá a esquerda desloca seu eixo piscando para a direita, atenuando as cores do seu antigo discurso. Já não eleva ao alto do mastro a bandeira da "propriedade coletiva dos meios de produção". Nem a provável vitória de François Hollande, hoje, na eleição presidencial francesa, significaa entronização do pavilhão vermelho no Palácio do Eliseu. O moderado líder finca pé na justiça social, escopo central dos partidos de esquerda, mas deixa ver a inclinação à Terceira Via, mescla de elementos do socialismo e do liberalismo, criada por Tony Blair (1997-2007), a partir do Reino Unido, e endossada pelo primeiro-ministro alemão Gerhard Schröder (1998-2005). O estudioso de linguagem política Damon Mayaffre (Estado, 29/4), ao constatar tal fato, registra que o empobrecimento do discurso, particularmente na Fraa e no Reino Unido, é um fenômeno que ocorre há 50 anos. No velho discurso podia-se ler um acervo composto por conceitos como liberdade, igualdade, democracia, capitalismo, socialismo. Hoje países democráticos, centrais e periféricos, entre os quais o Brasil, usam esses substantivos sem muita convicção. Recorde-se que a esquerda começou a redesenhar seu ideário após o esfacelamento do comunismo. A solução foi juntar os tijolos fragmentados do socialismo à argamassa do liberalismo. Sob a nova composição, a política abriu espaço para novas formas de contestação e novos polos de representação, hoje presentes na miríade de grupos, entidades e organizações sindicais. As clivagens partidárias do passado ganharam nova roupagem, na esteira do arrefecimento do antagonismo de classes e do enfraquecimento dos particularismos ideológicos. O desvanecimento dos mecanismos tradicionais da política - partidos, Parlamentos, ideologias, bases - e a criação de um novo triângulo do poder, juntando esfera política, burocracia governamental e círculos de negócios, fizeram emergir a era do eu, povoada por líderes e mandatários de todos os espectros, cada qual portando as vestimentas fosforescentes do Estado-espetáculo. Assim, o progressivo declínio das estruturas clássicas da política propiciou, em contraponto, um fluxo ascendente de personagens que passaram a ter visibilidade na onda midiática. A forma tornou-se mais importante que o conteúdo. São um exemplo nossas campanhas eleitorais, cheias de cosmética e centradas em fulanos, sicranos e beltranos. Pela importância da Fraa na textura democrática, é razoável supor que o redesenho do discurso que ali se faz serve para espelhar o atual estado da política no mundo. A começar pela desconstrução que o presidente francês promoveu em sua identidade. Damon Mayaffre mostra que, na sua primeira campanha, Nicolas Sarkozy se identificou plenamente com o espírito da direita, puxando conceitos como moral, mérito, trabalho, esforço, civismo. Agora ataca as instituições da República, como Justiça, imprensa, sindicatos. No fundo, trata-se de um ataque a ele mesmo, eis que o presidente encarna o espírito republicano e, por consequência, seus corpos intermediários. Tal postura tinha lógica em 2007, quando se elegeu com o slogan da ruptura. Mas hoje esse ideário serve à família Le Pen (Marine e seu pai, Jean-Marie) e à Frente Nacional, beneficiários maiores do pleito francês. Formou-se o paradoxo: Sarkozy pregou o dissenso e Hollande defendeu o consenso, quando a lógica sugeria o contrário. O que podemos extrair da lição francesa para a nossa realidade? Os recados são claros. Vejamos. Ponto 1: não há mais sentido em brandir bordões e refrãos insuflando a luta de classes, pobres contra ricos, socialismo contra liberalismo. Parcela dos nossos representantes continua a erguer bandeiras rotas. Ponto 2: atacar as estruturas intermediárias da República - Parlamento, Judiciário, imprensa - é desconstruir o próprio edifício da democracia. Desvios cometidos por pessoas físicas não podem ser confundidos com a importância das instituições democráticas. No entanto, viceja por estas plagas uma peroração que defende o controle da mídia, a revelar a simpatia de grupos pelo Estado autoritário. Ponto 3: o combate às elites políticas por quem as integra soa demagógico. Mandatários que escalaram os degraus da pirâmide para chegar ao topo devem saber que também eles integram o Olimpo elitista. Ponto 4: é um risco ancorar a estabilidade de um governo numa base nacionalista e protecionista. A deriva populista que uma atitude nessa direção proporciona, apesar de gerar conforto no curto prazo, ameaça comprometer o conceito internacional de um país. Olhe-se para os casos da Argentina e da Bolívia. A decisão da presidente Cristina Kirchner de nacionalizar 51% do patrimônio da petrolífera YPF, controlada pela espanhola Repsol, e a decisão do presidente Evo Morales de expropriar as ações da rede elétrica espanhola SAU podem até servir à almejada estratégia de aprovação popular. Mas quem garante que, mais adiante, não se transformarão em bumerangue? Decisões dessa ordem têm o condão de conferir aos governantes uma imagem situada na banda esquerda do arco ideológico. Mas a esquerda tem sofrido, e muito, para debelar o caos econômico. A Europa que o diga. Ali a crise fez cair, nos últimos três anos, 11 dos 15 governos de esquerda ou de centro-esquerda - Espanha, Reino Unido, Portugal, Bulgária, Finlândia, Hungria, Irlanda, Letônia, Lituânia, Eslovênia e Holanda. O aviso é oportuno: medidas populistas têm fôlego curto.
Atualizado em 19/05/2012
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Isso não vai dar certo

João Ubalto Ribeiro: O Estado de S. Paulo, 22 de abril de 2012.



Acabo de ler que há suspeitas de que, nos Estados Unidos, existam alguns homens com mil filhos – ou muito mais, segundo os exaltados – de ambos os sexos e aproximadamente da mesma idade. Para mim foi uma grande surpresa, embora seja natural de Itaparica, ilha de mulheres famosamente ferazes e varões façanhudamente femeeiros, onde proles numerosas são a regra. E as exceções a ela são descendências legendárias, como a de um certo tio-avô meu cujo nome deixemos pra lá, que, diz o povo, fez mais de 20 em casa e, variando conforme o narrador, 70 e tantos na rua, entre teúdas, manteúdas, fugazes aventuras galantes, casadas inquietas, viúvas inconsoláveis, comadres traquinas, maus passos da mocidade e raparigas diversas. Falam até que ele nem era o recordista, havia vários outros que o superaram.
Mas mil, meus caros amigos, mil nem o finado Helinho Codorna, que justamente levava esta alcunha por, no enfático dizer de Jacob Branco, “ser um fenomenal erotômano, que só pensava nisso, só fazia isso e morreu de fazer isso”. Por mais que o sujeito seja despachado, fazer mil filhos – e todos mais ou menos da mesma idade, ainda por cima – não parece empresa simples. Mas isso é porque ainda não nos acostumamos direito aos novos tempos e não nos damos conta das implicações de fatos que já fazem parte do cotidiano. Deve haver mesmo pais com mais de mil filhos, é bem possível.
A matéria explica que muitos homens são doadores de sêmen, mas poucos têm um sêmen “ideal”. Ele pode conter traços genéticos indesejados e outras “impurezas”, com o resultado de que uma amostra do bom, ou do mais em demanda, se valoriza e é muito usada pelo banco que a fornece para inseminação artificial. Daí se temer que um número inestimável de meios-irmãos, ou seja, filhos do mesmo pai com dezenas, centenas ou milhares de mães, já esteja circulando por aí, correndo até o risco de virem a casar-se entre si. Não sei se há exagero nisso, mas, se houver, não deverá ser muito, porque já se formam movimentos de possíveis prejudicados, notadamente entre os pais de filhos gerados por sêmen de doadores anônimos. Tampouco sei em que medidas concretas isso vai dar – talvez a exigência de que os noivos façam sempre testes de DNA, para ver se não são irmãos ou filho um de outro, embora eu não creia que isso evite grandes traumas e mesmo tragédias.
É possível que seja mera caturrice minha, mero apego a valores destituídos de fundamentos sólidos, mas não acho certo esse negócio de o sujeito ter milhares de filhos, é muito estranho. Não creio que haja muitos homens que, depois de pensarem um pouco, gostem da ideia de ter filhos seus anonimamente espalhados por aí, quando o impulso que antigamente era tido como natural seria conhecê-los, conviver com eles, aprender com eles e, enfim, ter a relação que a maior parte dos pais quer ter com os filhos. Compreendo quem queira gerar um filho por inseminação artificial, mas creio que os critérios, a começar pela própria área médica, poderiam ser revistos, porque assim chega a parecer coisa de gado, de animais criados quase em moldes industriais.
Mas nada deverá ser revisto, a não ser na direção oposta. Alegam-se impedimentos éticos e legais para a realização de certos experimentos com seres humanos, mas nada de fato impede que eles venham sendo feitos, pois há muita glória e, principalmente, dinheiro, envolvidos nesse campo. E os cientistas não constituem, ao contrário do que são levados a crer os leitores das páginas de ciências dos jornais, uma comunidade homogênea, que partilha dos mesmos valores, tem a mesma ideologia e os mesmos princípios e, enfim, não conta com canalhas e possíveis delinquentes em seu meio. Há tantos carreiristas venais entre eles quanto na sociedade maior de que são parte.
Não sei em que escala isso já se dá, mas é possível, por exemplo, escolher o sexo do bebê a resultar da inseminação. Em breve, quem sabe se essa escolha não virará rotina, ou até obrigação, por força de alguma lei que pretenda regular a composição demográfica do País? Onde ter filhas dê prejuízo (como nos casos em que o pai precisa oferecer um dote), o sexo preferido vai ser o masculino. O mesmo nas culturas genericamente denomináveis de machistas. Só pode inspirar pesadelos, em que exércitos de donzelões chineses invadirão países vizinhos, dispostos a tudo para asfixiar o anserino (vão ao dicionário somente esta vezinha; não foi por pernosticismo que escrevi isso aí, foi para pôr traje social numa expressão normalmente um pouco deselegante). E os países que produzirão meninas adolescentes para exportação?
Já se começa também a pensar nas aptidões que poderão ser “aplicadas” ao bebê em formação. Não devo estar muito equivocado em apostar que a maior parte dos pais vai querer que seus filhos nasçam com aptidão para ganhar dinheiro. Mas um país exclusivamente de banqueiros, políticos e malandros não pode subsistir (ou pode? examinar o caso do Brasil numa ocasião futura). Tem que haver quem trabalhe e então, naturalmente, o governo criará a Agência Nacional do Nascimento e da Vocação, destinada a produzir critérios e metas para organizar a caótica reprodução humana estabelecida com as novas tecnologias. Metas serão traçadas pelos economistas e demógrafos, para a criação da correta mão de obra para cada década. Mas, como de hábito, as metas vão revelar-se todas furadas e o pandemônio populacional se apresentará em novas formas. Isso para não falar nas exigências de cotas para profissões, tipos físicos, cores da pele, vocações, opções sexuais e assim por diante. E, finalmente, talvez mais cedo do que se espere, a Polícia Federal executará a Operação Cromossomo, com a prisão de vários implicados na adulteração e falsificação de gente. Mas ninguém vai ficar na cadeia.
Atualizado em 19/05/2012
Blog do Marco Aurélio Gonzaga

CURSO DE MEDICINA PÚBLICO E GRATUITO PARA UFMA EM IMPERATRIZ, É O QUE DEFENDE A DEPUTADA VALÉRIA MACEDO



A parlamentar sul-maranhense aproveitou para cobrar também a pavimentação da estrada que liga a área urbana de Imperatriz até o novo Campus da UFMA e relatou problemas estruturais das instalações recé-construídas.

Valéria: "Fculdade pública é prioridade"
A deputada Valéria Macedo (PDT) usou a tribuna da Assembleia, na sessão desta segunda-feira (23), para pedir à governadora Roseana e ao reitor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Natalino salgado, que realizem uma força-tarefa no sentido de remover os problemas que impedem a implantação do curso de medicina em Imperatriz.
Valéria Macedo fez uma retrospectiva dos passos que já foram dados para tornar realidade o sonho de milhares de maranhenses daquela região - de ver implantado o curso de medicina em Imperatriz - e, ao mesmo tempo, enumerou os problemas que ainda impedem a concretização do seu pedido. Dentre eles, a deputada citou a transformação do Socorrão e do Hospital Regional de Imperatriz em hospitais-escolas, uma vez que o prazo de seis meses previsto pela Secretaria de Saúde já se findou e o trabalho não foi concluído.
Segundo Valéria, nos últimos dias setores da imprensa de Imperatriz formadores de opinião nas redes sociais têm alertado que há rumores de que o curso de medicina prometido pela governadora Roseana Sarney para a Universidade Federal do Maranhão em Imperatriz, estaria sendo deslocada para a Faculdade de Imperatriz, a FACIMP, mas  nos anais do Ministério da Educação, essa informação não é verdadeira. “O que se tem de realidade é que a faculdade de Imperatriz a FACIMP também tem buscado autorização junto ao MEC para a implantação de um curso de medicina. Isso já é uma luta, inclusive acabei de falar com seu proprietário o Antônio Leite, isso já há mais de 06 anos”.
“Rendo aqui as minhas homenagens à FACIMP pelo serviço prestado na área de educação superior de Imperatriz e região, nada contra a iniciativa privada, mas o propósito fundamental deste meu pronunciamento é no sentido de pedir uma vez mais à governadora Roseana Sarney e ao reitor da UFMA, Natalino Salgado, que realizem uma força tarefa no sentido de remover os atuais problemas que impedem a implantação do curso de Medicina, público e gratuito na Universidade Federal do Maranhão, em Imperatriz”, disse.
Valéria lembrou que a implantação das faculdades no setor público, “é prioridade das prioridades, pois os altos custos das mensalidades que variam, entre os valores de R$ 3.500 a R$ 6 mil, afastam as camadas mais carentes do alunado e apresentou dados estatísticos que comprovam a necessidade que tem o Estado do Maranhão de formar mais médicos. 
“Estudos técnicos indicam que o ideal seria 2,5 médicos por mil habitantes; a média nacional é 1,8. Mas, aqui no Maranhão, o nosso índice é 0,54 médicos por mil habitantes, ou seja, pouco mais da metade de um médico, para cada mil pessoas. Isso evidência que há uma demanda reprimida por faculdade de medicina”, argumentou.
Outro problema citado por Valéria Macedo é o que diz respeito ao prédio do Campus Bom Jesus, da UFMA, em Imperatriz, que foi dado como pronto recentemente para receber os cursos de enfermagem e engenharia de produção e o de medicina, mas já apresenta problemas estruturais.
“Achamos injustificável que um prédio novo, mesmo antes de começar a funcionar, já apresente problemas estruturais. Acredito que o magnífico reitor Natalino salgado tem que resolver essa questão administrativa, pois esse é um dos problemas que atrapalham o avanço da implantação do curso de medicina, em Imperatriz. Além disso, tem o problema do acesso ao Campus, num trecho de 6 Km, que precisa ser urgentemente resolvido”, observou. 
APARTES 
Os deputados Magno Bacelar (PV), Eliziane Gama (PPS), Bira do Pindaré (PT) e Antônio Pereira (DEM) fizeram apartes ao discurso da deputada, reconhecendo sua luta pela implantação do curso de medicina em Imperatriz  e, ao mesmo, tempo se comprometendo em somar esforços no sentido de buscar a superação dos entraves para a concretização desse objetivo.
Atualizado em 19/05/2012
Blog do Marco Aurélio Gonzaga

Pesquisa Escutec aponta cenário embaralhado na sucessão em São Luís

Levantamento mostra que, se Flávio Dino for candidato, pode vencer a eleição no primeiro turno.

Marco Aurélio d´Eça

Da Editoria de Política
Fonte: jornal O ESTADO DO MARANHÃO

Faltando pouco mais de cinco meses para as eleições de outubro, a primeira pesquisa Escutec sobre a preferência do eleitorado em São Luís mostra dois cenários distintos na corrida pela Prefeitura. No primeiro, com a presença do ex-deputado federal Flávio Dino (PCdoB), o comunista aparece com ampla vantagem sobre os demais candidatos. Nos outros quatro cenários, sem Dino na disputa, o quadro fica mais embolado, mas com um aspecto significativo: em nenhum dos cenários, o prefeito João Castelo (PSDB) consegue se manter à frente dos adversários.

A pesquisa Escutec - primeiro levantamento oficial sobre as eleições na capital maranhense - foi encomendada pela Associação Comercial do Maranhão e disponibilizada ontem à imprensa. Foram ouvidos 800 eleitores, entre os dias 19 e 21 deste mês. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral sob o número 00017/2012.

No primeiro cenário da pesquisa estimulada, o comunista Flávio Dino aparece com 46,5% das intenções de voto, praticamente três vezes o número de citações do ex-prefeito Tadeu Palácio (PP), que tem 13%, em situação de empate técnico com João Castelo (12,8%). Neste cenário, o deputado federal Edivaldo Holanda Júnior (PRC) soma 8,3% das intenções de voto. A quinta colocada é a deputada estadual Eliziane Gama (PPS), com 3,8%. Roberto Rocha (PSB), aparece com 2,1%, seguido de Washington Oliveira (PT), com 1,7%, Haroldo Sabóia, com 1,6% e Marcos Silva com 0,7%.

No Cenário 1, o número de eleitores que declararam não votar em nenhum dos candidatos é de 6,3%. Outros 3,2% não souberam ou não quiseram responder.

Quando o Escutec retira da planilha de candidatos o nome de Flávio Dino da lista de candidatos apresentada aos eleitores, é Tadeu Palácio quem assume a liderança da pesquisa. Ele soma 22% das intenções de votos, seguido por João Castelo, com 17,3% e Edivaldo Holanda com 17%. A deputada Eliziane Gama fica com 7,1%, Roberto Rocha vai a 3,5% e Washington a 3,3%. Marcos Silva, com 2,6%,supera Haroldo Sabóia, que fica com 2,4%.

Neste cenário, o total de eleitores que declaram não votar em nenhum candidato sobe para 20,5% e outros 4,4% ainda se declaram indecisos.

O terceiro cenário exclui Roberto Rocha e Eliziane Gama do quadro de candidatos. Tadeu sobe ainda mais, chegando a 25,5%; Holanda Júnior supera Castelo e vai a 19,9%, contra 18,2% do prefeito. Marcos Silva sobe para a quarta colocação, com 3,7%, superando Washington, que fica com 3,5%, e Haroldo Sabóia, que vai a 3,4%. O número de eleitores fica em 4,3%. Outros 21,6% declararam não votar em nenhum candidato.

No quarto cenário, o Escutec manteve apenas Edivaldo Holanda como candidato da oposição. Ele garante a primeira colocação com 25,5%, quase três pontos à frente de castelo (22,2%). Haroldo Sabóia vai para a terceira colocação, com 5%, Washington fica com 4,9% e Marcos Silva fica com 4,1%. Neste cenário, o número de eleitores que declararam não votar em nenhum candidato vai a 32,4%. Outros 5,9% estão indecisos.
No cenário cinco, é Tadeu Palácio quem assume o lugar de Edivaldo Holanda, mantendo Rocha e Eliziane fora da disputa. Neste caso, o ex-prefeito venceria com 26,5%, contra 20,2% de Castelo. Haroldo Sabóia mantém a terceira colocação, com 5,6%, seguido de Marcos Silva, com 5,1% e Washington, com 3,7%. O eleitor que não vota em nenhum deles permanece na faixa dos 32% e 6,6% não souberam ou não quiseram responder à pesquisa.

Todos os adversários vencem Castelo no segundo turno

Nas simulações do Escutec, o prefeito só conseguiu registrar dianteira no cenário com o vice-governador Washington; neste caso, os dois estão no limite do empate
O prefeito de São Luís, João Castelo, perde para todos os candidatos da oposição que, eventualmente, disputar com ele um segundo turno das eleições em São Luís. De acordo com o Instituto Escutec, o prefeito venceria apenas do candidato do PT, Washington Oliveira, mesmo assim em uma situação de empate técnico.
Numa segunda rodada de disputa entre Flávio Dino e João Castelo, o comunista venceria as eleições por 64,1% dos votos, contra 19,9% de João Castelo. Neste caso, 13,9% dos eleitores declararam não votar em nenhum deles e 2,1% estão indecisos.
Se o segundo turno for entre Castelo e Edivaldo Holanda Júnior, o deputado federal venceria com 48,4% dos votos, contra 24,9% dados a Castelo. O número de eleitores que não pretende votar em nenhum dos dois candidatos subiria para 24,4%, e outros 2,3% se declaram indecisos.
Num eventual segundo turno entre Castelo e Tadeu Palácio, o ex-prefeito vence por 45,6% contra 24,4% dos votos. Neste cenário, sobe para 27,6% o número de eleitores que não votariam em nenhum dos dois e 2,4% se declarariam indecisos.
A disputa com Eliziane Gama ou Roberto Rocha representando a oposição seria mais acirrada com João Castelo, embora ambos vencessem as eleições. Eliziane alcançaria 32,9% dos votos, contra 28,8% de Castelo; no caso de Rocha, o candidato do PSB venceria com 30,4% dos votos, contra 29,8% do prefeito. O índice de eleitores que não votariam chegaria a 35,2% no caso de Eliziane X Castelo e a 37,1% se o embate for Rocha X Castelo. O total de eleitores indecisos ficaria na casa de 3% ou 2,8% dependendo do adversário castelista.
Num último cenário pesquisado pela Escutec, entre Castelo e Washington, o prefeito chegaria a 30,4% dos votos, contra 26,2% do petista. O índice dos que não votariam em nenhum dos dois alcançou 40,4%. Outros 3% se declaram indecisos.

Mais

O pré-candidato do PCdoB, Flávio Dino, é o mais lembrado pelos eleitores de São Luís na pesquisa espontânea do Instituto Escutec. De acordo com o instituto, 32,1% dos eleitores da capital maranhense lembram dele, em primeiro lugar, quando perguntado sobre as eleições. Na pesquisa espontânea, aparecem também na pesquisa espontânea os candidatos Tadeu Palácio (11,2%), João Castelo (9,4%), Edivaldo Holanda (6,6%). Todos os demais candidatos aparecem com índices na casa dos 2% de intenção de votos.
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