Tribuna do Tocantins
06/01/2012 12h01 - Atualizado em 06/01/2012 12h01

Aposentadoria de Marcos deixa Palmeiras sem garoto-propaganda

De cara, o clube vai economizar quase R$ 4 milhões por ano com o corte de aproximadamente R$ 330 mil por mês --era o maior salário do time.
Aposentadoria de Marcos deixa Palmeiras sem garoto-propaganda

 

Após duas décadas, o Palmeiras terá de aprender a conviver com a ausência de seu ponto de referência.Desde que Marcos, 38, anunciou sua aposentadoria, quarta-feira, os palmeirenses queimam os neurônios e colocam na balança o ônus e o bônus da saída do goleiro.
 
De cara, o clube vai economizar quase R$ 4 milhões por ano com o corte de aproximadamente R$ 330 mil por mês --era o maior salário do time.
 
Por outro lado, o Palmeiras sabe que perderá incontáveis cifras em marketing, venda de uniforme e produtos licenciados. Está sem patrocínio na camisa, e a ausência de Marcos certamente não ajudará a encontrar uma marca disposta a pagar os quase R$ 20 milhões anuais.
 
Embora a Adidas não divulgue dados, o fato é que Marcos é, há tempos, o campeão de venda de peças --só ele ganhou uma edição comemorativa recentemente.
 
Sem falar que é uma figura conhecida internacionalmente, o que alavanca a imagem do Palmeiras.
 
Perto disso, os R$ 4 milhões anuais praticamente desaparecem --o valor não representa nem 5% do valor gasto pelo clube com o futebol profissional anualmente.
 
"Jogador se aposentar faz parte da carreira. Todos sabiam que aconteceria cedo ou tarde. Por isso, o clube precisa estar preparado para trabalhar sua imagem de ídolo, mesmo aposentado", disse Fábio Wolff, especializado em marketing esportivo.O Palmeiras não sabe, porém, como aproveitar Marcos. Roberto Frizzo, vice de futebol, disse que ele será um embaixador do clube. Mas o fato é que nem o próprio ex-jogador tem certeza do que poderia fazer pelo clube.
 
Além da questão da imagem, é o fim da voz ativa do camisa 12 que pode significar o maior ônus para o clube.
 
Ao lado de Luiz Felipe Scolari --e mesmo quando não podia jogar, limitado pelas dores--, Marcos sempre foi um dos pilares da equipe.
 
Respeitado, tinha uma liderança natural e participava de preleções mesmo em sua fase derradeira, quando as dores o impediam de jogar.
 
Sua velha ligação com Scolari também era um trunfo. Porém não funcionou, devido à fragilidade dos recentes elencos do Palmeiras.
 
Marcos vestia carapuças e segurava bombas, mantinha uma relação absolutamente saudável com a torcida e representava o último bastião de um time que desaprendeu a ser campeão.
 
No entanto, também é fato que alguns cartolas sabem que, sem Marcos, o time estará livre de autocríticas indesejáveis, principalmente após as derrotas.
 
Como o próprio Marcos disse em entrevista à Folha, já fora advertido várias vezes por falar demais e desagradar com essa atitude.
 
Marcos ganhará um busto pelo amor ao Palmeiras. E tocará sua vida, com sua clínica de fisioterapia, sua paixão por carros e suas terras. Resta saber como o Palmeiras se portará sem seu santo.
 
 
Fonte: Folha.com
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