Tribuna do Tocantins
15/02/2012 11h03 - Atualizado em 15/02/2012 11h03

Mãe de Eloá passa mal e não assistirá ao terceiro dia de júri

Segundo advogado da família, ela está 'debilitada emocionalmente'.
Mãe de Eloá deu entrevista a jornalistas na terça

A mãe de Eloá Pimentel, Ana Cristina Pimentel, não irá acompanhar o terceiro dia de julgamento de Lindemberg Alves, acusado de matar sua filha em outubro de 2008, nesta quarta-feira (15) em Santo André, no ABC. Segundo Ademar Gomes, advogado da família e assistente de acusação, Ana Cristina amanheceu passando mal, "debilitada emocionalmente, muito nervosa, muito fragilizada". O advogado informou que ela recebia cuidados médicos nesta manhã. Ana Cristina nem chegou a se dirigir ao fórum nesta manhã.

O irmão de Eloá Ronickson Pimentel dos Santos chegou ao Fórum de Santo André nesta manhã pedindo pena máxima para Lindemberg. " Quero pena máxima para ele, quero a condenação. Ele é assassino", disse. Nesta terça-feira (14), Ronickson prestou Foi, então, que a advogada disse: "Você precisa voltar a estudar". A promotora Daniela Hashimoto saiu em defesa da juíza e disse para ela "tomar cuidado", que estava desacatando e ameaçou processá-la. A juíza, no entanto, determinou que o julgamento proseguisse.

Mais cedo, durante a manhã, a advogada pediu que a mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, não fosse ouvida durante o julgamento. Na segunda (13), a própria defensora havia arrolado a Ana Cristina e o irmão caçula da vítima, Everton Douglas, de 17 anos, como testemunhas. Ana Lúcia ameaçou abandonar o júri caso Ana Cristina Pimentel fosse ouvida.

"Não concordo que essa testemunha seja ouvida. Eu quero dispensá-la”, disse, sem apresentar motivo. A juíza ponderou ser necessária a concordância da acusação. A promotora do caso, Daniela Hashimoto, discordou. Em seguida, a advogada de Lindemberg ameaçou. "Eu vou abandonar o júri. Eu vou embora”, disse, elevando o tom de voz. A acusação acabou aceitando a dispensa de Ana Cristina.

No fim da noite, Assad voltou a reclamar -mas desta vez da imprensa. "Vocês publicam coisas que eu não falei. Sai na imprensa e sou hostilizada", afirmou. A advogada também negou ter discutido com a mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, como, segundo ela, alguns órgãos de imprensa publicaram. A advogada disse que está saindo escoltada do fórum por medo de agressões.

Ela pediu para que fosse registrado em ata que estava sendo hostilizada e ameaçada e chegou a mostrar um colete à prova de balas para o plenário do júri. A advogada disse que teme ser agredida. Ao sair do fórum, por volta das 23h45, pela porta dos fundos, ela teve seu carro escoltado por policiais militares. Ela não falou com a imprensa.

depoimento e chamou o réu de "monstro", descrevendo-o como uma pessoa violente.

Lindemberg Alves chegou às 8h47 desta quarta-feira (15) ao Fórum de Santo André. O júri entra em seu terceiro dia nesta quarta e é aguardado o depoimento de Lindemberg. Ele nunca se pronunciou sobre o crime desde que foi preso, em outubro de 2008. O réu passou a noite no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, na Zona Oeste da capital paulista.

Nesta terça, o júri foi marcado pelo bate-boca entre a advogada do réu, Ana Lúcia Assad, e a juíza Milena Dias. Durante o depoimento da perita criminal Dairse Aparecida Pereira Lopes, a defensora Assad reclamou de um ponto técnico, afirmando que havia um número errado no processo.

A juíza disse que não cabia à defesa fazer tal questionamento no momento. Indignada, a advogada disse que queria apenas a "verdade". A juíza voltou a dizer que ela ia ter a oportunidade de falar isso nos debates e que esse não era o "conceito".

Irmãos de Eloá
No início deste segundo dia de julgamento, Ronickson Pimentel dos Santos, irmão mais velho de Eloá, definiu Lindemberg Alves como "louco", "vingativo" e "extremamente agressivo". Nas palavras de Ronickson, o réu é um "monstro". O jovem foi o primeiro a ser interrogado nesta manhã, segundo dia de julgamento.

O irmão caçula de Eloá, Everton Douglas, disse em seu depoimento que Lindemberg ameaçava matar todos caso a polícia invadisse o apartamento onde o crime ocorreu. “O Lindemberg falou que se relassem na porta e tentassem entrar ele atirava em todo mundo”, disse o adolescente de 15 anos.

Jornalistas

Arrolados pela defesa, os jornalistas Rodrigo Hidalgo e Márcio Campos disseram que nos contatos feitos entre a polícia e o acusado ele não apresentou exigências e se mostrou disposto a matar Eloá. Questionados sobre uma influência da imprensa do desfecho, ambos afirmaram ainda que em nenhum momento jornalistas fizeram qualquer tipo de provocação nem incitaram Lindemberg a cometer um ato violento.

Capitão do Gate
O capitão Adriano Giovanini, do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da PM, disse que cogitou o uso de explosivos para derrubar a parede do apartamento de Eloá Pimentel. Segundo o capitão, a PM não fez isso porque poderia colocar em risco as vítimas e a estrutura de todo o prédio. O Gate foi responsável pelas negociações com o jovem.

Segundo Giovanini, dois atiradores estavam posicionados a sete metros para acertar Lindemberg. Isso não ocorreu porque, desde o momento em que Nayara entrou novamente no apartamento, os policiais não tiveram mais chances de acertar, segundo ele. “Se a gente tem dúvida da posição de alguma das vítimas, o tiro não é executado.”

Delegado
O delegado Sérgio Luditza, que investigou o caso Eloá, disse que uma frase do acusado foi o "estopim" para a invasão da PM ao apartamento. Segundo ele, Lindemberg disse que estava "ouvindo um anjinho e um capetinha e o capetinha estava vencendo". Luditza afirmou que o caso teve uma reviravolta nos últimos 30 minutos. "Estava tudo caminhando para a libertação dos reféns."

Perito
Antes do delegado, o perito Hélio Rodrigues Ramacciotti, responsável pelos laudos do Instituto de Criminalística (IC), também prestou depoimento. Ele disse que é possível dizer que não houve disparos de arma calibre 40 (usada por policiais em São Paulo) no apartamento. “Se houvesse disparos de ponto 40, as lesões seriam muito superiores”, afirmou. “Se fosse uma arma ponto 40, Nayara não estaria viva."

 

Fonte: G1

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