O ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao lado da ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, durante entrevista coletiva, sobre o Programação Orçamentária e Financeira de 2012 Givaldo Barbosa / O Globo Leia mais sobre esse assunto em h
BRASÍLIA - O corte de R$ 55 bilhões no Orçamento Federal, anunciado pelo governo nesta quarta-feira, foi 10% maior que o praticado no Orçamento do ano passado, que foi reduzido em R$ 50 bilhões. Na época, boa parte do valor foi retirado de emendas parlamentares e de bancada. Dos R$ 21 bilhões de emendas, R$ 18 bilhões foram contingenciados, sendo R$ 7 bilhões das individuais.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o corte preserva tanto os investimentos quanto os programas sociais, que vão impulsionar o crescimento econômico em 2012:
- O aumento dos investimentos é a locomotiva do crescimento no Brasil. Também haverá um reforço dos programas sociais que aumentam a renda da população - disse ele, reafirmando que o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 4,5% esse ano.
Mantega destacou que a contenção das despesas não representa o ajuste fiscal clássico e nem se assemelha ao que vem ocorrendo na Europa, onde países como a Grécia estão fazendo cortes elevados em todas as áreas:
- O que estamos fazendo é diferente do ajuste fiscal que estamos vendo nos países europeus, que cortam tudo, investimentos, programas sociais. No final, isso resulta em recessão. O que estamos fazendo é cortar custeio. Não é o ajuste fiscal clássico e conservador. Por isso não chamamos de ajuste, chamamos de consolidação fiscal.
Segundo ele, a estratégia da equipe econômica é abrir espaço para que o Banco Central continue reduzindo as taxas de juros no país.
- E abre espaço para a redução dos juros. Num cenário de queda de inflação, hoje a inflação está caindo e com contenção de gastos, abre espaço para a redução da taxa básica de juros.
Queda de R$ 20,5 bilhões nas despesas obrigatórias
Segundo nota divulgada pelo Ministério do Planejamento, as despesas discricionárias (aquelas em que o governo pode mexer livremente) no Orçamento de 2012 serão reduzidas em R$ 35,010 bilhões, e as obrigatórias, em R$ 20,5 bilhões.
De acordo com a nota, as despesas obrigatórias foram reduzidas em função de diminuições nos gastos com benefícios previdenciários, LOAS, subsídios, FDA (Fundo de Desenvolvimento da Amazônia) e FDNE (Fundo de Desenvolvimento do Nordeste), fabricação de cédulas e Moedas e Complemento do FGTS.
Nas despesas discricionárias, a maior tesourada foi na área de Saúde - R$ 5,4 bilhões. Em segundo lugar ficou o Ministério das Cidades, com R$ 3,322 bilhões a menos, seguido pela Defesa, com R$ 3,319 bilhões de redução. O Ministério da Justiça sofreu um corte de R$ 2,247 bilhões e o da Integração Nacional, de R$ 2,193 bilhões.
Fonte: Jornal O Globo





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