Norma era uma dona de casa. Limpava a casa, fazia a comida, lavava e passava as roupas e fazia outras atividades domésticas.
Todos os dias ela pegava o carro do marido e ia fazer compras no supermercado. Comprava carne, legumes e outros alimentos.
Hoje Ramon, seu marido, chegou em casa ao meio dia, e Norma não estava em casa. Achou estranho, afinal sua esposa sempre estava em casa e não havia deixado nenhum recado para ele.
Ligou a televisão e viu uma reportagem. Alguém havia matado uma mulher por causa de um acidente de trânsito.
Ramon quase desmaiou quando o repórter informou o nome da vÃtima. Seu coração bateu mais forte e ele se sentiu extremamente fraco. Ficou desesperado.
Não conseguiu ouvir que testemunhas haviam presenciado o homicÃdio. Uma delas disse que o agressor atirou na mulher por causa de uma leve batida no seu veÃculo.
Norma havia batido na traseira do outro veÃculo. O motorista saiu do carro irritado, gritando e gesticulando. Disse que Norma era uma "barbeira" e que mulheres não sabiam dirigir. Ele estava muito exaltado e sacou uma arma. Norma ainda tentou falar, mas ele atirou e a matou.
O criminoso, por um momento, ficou parado, parecendo não acreditar no que havia feito. Parecia surpreso e, ao mesmo tempo, arrependido. De repente, voltou a si, embarcou no carro e saiu em disparada.
Ramon também não ouviu que uma testemunha havia anotado a placa do carro e que o repórter lamentou mais uma morte banal no trânsito.
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
O natal está chegando e eu me pergunto: as pessoas sabem o significado do natal?
Parece que cada vez mais essa data é apenas uma data comercial. As pessoas viram consumidores vorazes, enfeitam suas casas, as ruas, a cidade.
As ruas do centro comercial ficam lotadas de gente e de carros passando pra lá e pra cá, estacionando em qualquer lugar, de qualquer forma, até em fila dupla, afinal não há muitos lugares pra estacionar e ninguém quer andar muito.
Nessa época, as pessoas compram até o que não devem comprar. Ficam endividadas, mas está tudo bem. É natal! No outro ano a gente se vira.
Algumas dessas pessoas parecem mesmo alienadas. Os olhos ficam arregalados diante dos cartazes promocionais. E, é lógico, os lojistas aproveitam todas as maneiras possÃveis para fazer o consumidor comprar mais.
E quem se lembrou do significado do natal? Até os que se dizem religiosos esqueceram...
Ah, é mesmo, o nascimento de Jesus. Eu tinha me esquecido... São tantas coisas pra comprar, tantos presentes para dar. Puxa, o nascimento de Jesus. Como eu pude me esquecer. Tenho que comprar um presente pra Ele!!!
Papai Noel, árvore de natal, enfeites, presentes, promoções e até um pouquinho de solidariedade; isso ninguém esquece. Ninguém esquece.
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
Zezinho era um legÃtimo cidadão brasileiro. Ao contrário da maioria da população, ele agia e não apenas falava. Enquanto os outros protestavam com palavras duras, Zezinho corria atrás de meios de mudar efetivamente o paÃs.
Ele era um trabalhador. Passava mais do que oito horas no trabalho todos os dias, seis vezes por semana. Quando sobrava um tempinho, ele via as notÃcias da sua cidade, seu estado, seu paÃs. E ele se interessava mais pela parte polÃtica.
Sempre que podia, estava na Câmara de Vereadores, cobrando melhorias e exigindo publicidade e transparência de todas as ações governamentais. Queria saber o motivo de tanto superfaturamento nas licitações.
Ele simplesmente não entendia por que um copo, que ele comprava por dez centavos, custava cinquenta centavos para o MunicÃpio. Se o ente público comprava caixas e caixas de copos, o preço deveria ser mais baixo, não é? Assim ele pensava, mas os corruptos não entendiam desse modo, afinal queriam lucrar cada vez mais.
E Zezinho investigava, investigava e sofria ameaças de morte. E um de seus amigos dizia:
- Deixa isso de mão, Zé.
Mas Zé não deixava porque esse era o seu jeito. Tinha nascido para fazer aquilo. Não sabia ficar calado, consentindo com toda aquela roubalheira.
Zezinho entregou provas à PolÃcia Federal. Cumpriu o seu dever como cidadão.
O delegado, amigo de um dos investigados, arquivou o caso numa de suas gavetas. Informou a situação ao prefeito, que estava mais do que envolvido com o esquema.
No dia seguinte, Zezinho saia do trabalho, contente e tranquilo. Tinha feito a sua parte. Um motoqueiro aproximou-se e o sujeito que estava sentado na garupa da moto efetuou cinco disparos. Três deles acertaram o peito de Zezinho, que caiu e, antes de morrer, pensou na sua famÃlia, seus três filhos e, ainda assim, não se arrependeu, pois estava de consciência limpa e tinha cumprido a sua missão.
No dia seguinte, houve passeata na cidade. O caso teve repercussão nacional, pois Zezinho, apesar de ser um cidadão humilde, tinha alguns amigos "importantes".
Dias depois, o delegado, o prefeito e outras "autoridades" foram presos. Zezinho era precavido. Tinha tudo documentado num lugar seguro.
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
Ariane era uma garota antenada. Tinha computador, notebook, netbook, iPad, iPhone, iPod e outros acessórios eletrônicos.
Vivia conectada na internet. Estava sempre no Messenger, Orkut, Facebook, Myspace, Gazzag, Twitter, entre outras redes sociais.
Mesmo na escola em que estudava o ensino médio, ela não largava do seu iPhone.
E na internet ela tinha muitos amigos. Muitos mesmo. Conversava com eles o dia quase todo, até mesmo de madrugada. Rolavam altos papos, todo tipo de assunto e sem nenhum desembaraço.
E alguns desses seus "amigos virtuais" estudavam na mesma escola, mas só conversavam pela internet. Conversa cara a cara era raridade. E bota raridade nisso.
Um dia desses, Ariane se viu numa situação inesperada: teve que apresentar um trabalho escolar. E como ela ia falar, se ela só teclava? Ela ficou muito nervosa e acabou chorando no dia da apresentação. Alguns colegas sorriram muito da situação.
No mesmo dia, ela postou uma frase em um de seus perfis na internet, com uma dessas carinhas tristes.
- Que dia horrÃvel. Nunca pensei que teria que falar em público. Prefiro a internet.
E um de seus colegas virtuais tentou conversar com ela na escola. Mas ela se escondeu. Parece que tinha medo de gente...
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
João estava voltando do trabalho, quando presenciou uma cena inusitada: policiais efetuando a prisão de outros policiais.
E o que mais chamou a sua atenção foi o fato de que um traficante estava sendo escoltado por policiais, que estavam no carro oficial da PolÃcia e davam proteção ao bandido, que estava fugindo para um local seguro, pois o morro que ele dominava seria logo invadido e pacificado pela polÃcia.
Algumas pessoas filmavam a cena, tiravam fotos. Outras pessoas, mais exaltadas, gritavam:
- Vergonha! Vergonha!
A PolÃcia, que deveria preservar a ordem pública e a incolumidade das pessoas e do patrimônio, estava protegendo um traficante, chefe de uma organização criminosa. Quanta ironia.
Na verdade, não foi a instituição PolÃcia; foram só alguns policiais. E esses são bandidos.
É bom que se diga, os demais policiais, até prova em contrário, são bons policiais e cumprem fielmente seus deveres.
Enquanto isso, João estava pensativo. Não imaginava que esse tipo de coisa acontecia. Ele vinha de uma cidade pequena, onde as pessoas ainda acreditavam em alguns valores, tinham alguns princÃpios e, sobretudo, eram honestas e solidárias.
Policiais dando proteção a bandidos! Isso não acontecia na sua cidade natal, afinal lá não tinha mais do que cinco policiais e todos se conheciam...
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
Numa época em que poucas coisas fazem sentido, eu estou sempre querendo saber o significado de tudo.
Muitas vezes vejo algo escrito em livros e na internet e não consigo entender nada. Algumas pessoas não sabem se expressar, mas outras gostam de se expressar de maneira que quase ninguém entende. Fazem isso de propósito.
Algumas vezes os sentimentos são tão confusos que compreendo o motivo de o texto não ser compreensÃvel. A confusão também é uma forma de expressar os sentimentos.
Mas há momentos que chega a ser chato tentar procurar um sentido num labirinto de palavras incompreensÃveis. Alguns acham isso interessante e tentam escrever do modo mais obscuro possÃvel, pensando que se trata do melhor estilo literário.
Não tenho nada contra, apesar de não gostar, pois prefiro escrever e ler algo compreensÃvel. Lógico que algumas vezes é difÃcil explicar com palavras algumas coisas que queremos dizer, mas sempre que possÃvel tento ser o mais simples possÃvel. Mas, como disse Clarice Lispector, "que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho".
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
Só poderia mesmo ser uma ilusão. Fantasia, sonho. Nada mais. Os pensamentos mais loucos passavam pela cabeça de JaÃlson. Nada mais fazia sentido desde que Priscila lhe contou algo. Não era possÃvel, ele pensava.
Nos últimos dois anos, ele viveu pensando que não tinha a menor chance, apesar de ter uma esperança no seu peito. O que ele mais queria parece que se tornaria mais do que provável e possÃvel. Tornar-se-ia real, estranhamente real. Era tão surreal pra ele que era difÃcil de acreditar. Ele criou uma idéia tão improvável na sua mente, que ele não conseguia ver a verdade.
Priscila havia dito que Marcela queria se encontrar com ele. Ela já estava cansada de esperar pela iniciativa dele. Priscila disse que Marcela sabia do interesse dele e sabia também que ele nunca teria coragem de declarar-se.
No inÃcio, JaÃlson pensou que se tratava apenas de mais uma brincadeira da Priscila. Afinal, ela gostava de fazer esse tipo de coisa. Mas ele começou a enxergar a possibilidade de sua esperança se concretizar e isso era ótimo.
Foi ao local marcado no horário informado e lá encontrou Marcela aparentemente esperando por ele.
- Oi – disse ele, feliz e ansioso.
- Oi – disse ela, sorrindo. Ela também parecia feliz. – Que bom que você veio.
Ele sorriu. Então é verdade, ele pensou.
- Eu estava pensando que a Priscila tinha inventado isso, mas parece que é mesmo real.
- Muito real. Você demorou pra perceber e eu cansei de esperar a sua iniciativa.
Ela colocou as suas mãos nas mãos dele e disse:
- Não quero mais perder tempo e você?
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
Alessandra era jovem, cursava o sétimo perÃodo do curso de Direito e teve a sua vida interrompida de forma trágica e banal.
Ela tinha se envolvido com um professor e o namorou durante três meses.
Viu que ele era ciumento demais e terminou o relacionamento. Lógico que ele não aceitou de forma pacÃfica o fim e ligava diversas vezes, tentando reatar o namoro. Às vezes a seguia e chegou a ameaçá-la de morte.
Ele, que era professor de Direito e, portanto, formado na área, deveria saber que ameaça é crime, mas com o passar do tempo as ameaças foram aumentando e ela se viu num beco sem saÃda.
Denunciou a situação ao diretor do curso, que não acreditou muito na história e preferiu não fazer nada.
A famÃlia dela estava preocupada e tentou comunicar o caso à polÃcia, mas o professor cumpriu a ameaça muito rapidamente e, numa manhã chuvosa, quando Alessandra saÃa de sua casa, em seu carro, ele chegou e adentrou o veÃculo. Ela ficou assustada e ele disse que não conseguia mais viver sem ela. Ele parecia muito instável e desesperado.
Ela tentou acalmá-lo e disse que eles poderiam marcar um jantar e conversar. Mas ele já estava decidido. Sacou a arma e atirou na cabeça de Alessandra, que caiu morta.
Logo em seguida, ele colocou o corpo dela no banco traseiro e dirigiu o veÃculo até a delegacia mais próxima e se entregou.
No enterro, o pai de Alessandra estava desamparado. Não conseguia sequer ficar de pé. Ela era a alegria dele, um lavrador, que teria a chance de ver a sua única filha se formar. Esse era o seu grande sonho, que não mais se realizaria por causa de um ciúme doentio.
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
Jadiel e seu amigo Jorge combinaram de beber no final de semana. E Jorge chamou mais dois conhecidos dele.
Eles foram para um bar no centro da cidade e começaram a beber e a conversar como muitas outras pessoas fazem nos fins de semana e até em dias de trabalho.
Até aÃ, nada de anormal. Tudo estava tranqüilo.
Eles estavam sentados na calçada e a todo momento passavam carros e motos pela rua. E uma dessas motos parou em frente a eles. Dois sujeitos estavam na moto e ambos usavam capacetes com viseiras pretas.
O sujeito que estava na garupa da moto, desceu e sacou uma arma. Atirou três vezes e acertou os dois conhecidos de Jorge. Acertou também o peito de Jadiel, que já caiu morto.
Os dois sujeitos saÃram dali rapidamente, quase sem serem notados. E a placa da moto? Alguém anotou? Ninguém viu placa alguma, provavelmente porque havia sido retirada.
Jorge ficou desesperado. Ele sabia que os dois sujeitos tinham vindo matá-lo. Sabia o motivo: havia transado com uma mulher casada e o marido, sabendo do acontecido, havia prometido vingança.
Jadiel não havia feito nada de errado. Estava apenas se distraindo depois de uma semana exaustiva de trabalho.
Era jovem. Iria fazer vinte e um anos de idade em poucos dias.
Mas não vai mais comemorar seus aniversários porque morreu de forma precoce e banal.
Como disse o cantor, "os bons morrem jovens".
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
A partir do dia 16/09/2011, o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI vai ficar trinta por cento maior sobre os automóveis importantes, com exceção dos carros oriundos do Mercosul e do México.
Segundo especialistas, essa medida é inconstitucional, pois contraria os princÃpios da igualdade e da livre concorrência. Pode, portanto, ser alvo de ação direta de inconstitucionalidade diante do Supremo Tribunal Federal. Pode também ser questionada perante a Organização Mundial do Comércio.
Essa elevação do imposto contraria princÃpios de direito tributário, uma vez que somente o imposto de importação pode diferenciar a alÃquota do imposto em razão da origem dos produtos.
Contraria também o princÃpio da anterioridade, que estabelece que o Estado não pode cobrar no mesmo exercÃcio financeiro (no mesmo ano) em que haja sido publicada a lei que haja aumentado ou criado o tributo ou antes de noventa dias da data de publicação da lei.
A elevação do imposto parece ser um sintoma da guerra comercial que vem ocorrendo no mundo depois do agravamento da crise econômica global.
Segundo uma reportagem, a medida só atinge cerca de cinco por cento dos automóveis comercializados no Brasil. E, portanto, não gera grande abalo e, por isso mesmo, nem deveria ter sido realizada, pois só gera atrito com as empresas importadoras e ainda pode ser questionada perante o STF e a OMC.
Ao meu ver, o aumento flagrantemente é inconstitucional e o governo sabe. Parece mais uma iniciativa das empresas nacionais, pois estão perdendo mercado para as fabricantes estrangeiras, que primam pela qualidade, inovação tecnológica, com custo um pouco menor.
As fabricantes nacionais, como já divulgado na imprensa, tem margem de lucro muito acima dos outros paÃses, o que acaba encarecendo o produto.
Mas por que as empresas baixariam os preços, se o consumidor compra cada vez mais e sem reclamar?
Como um carro fabricado no Brasil vai para o exterior, custando muito menos e com mais itens de série?
Se o governo quer tomar alguma medida, que seja para baixar os preços e não aumentá-los, que seja para melhorar a qualidade dos produtos nacionais e não estimular a desigualdade, que seja para favorecer a concorrência e o consumidor.
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
Às vezes, quero tanto escrever e não vem nenhuma idéia. Fico procurando algo sobre o que escrever e nada aparece no pensamento. Parece que as idéias fugiram para algum lugar desconhecido. Mas uma hora dessas elas aparecem.
Outras vezes, tenho uma idéia, que logo se perde por algum lugar dentro das infinidades das idéias que passam na minha mente. Uma pequena distração, e todo o projeto que eu tinha no pensamento vai embora, sem deixar vestÃgios.
São tantos pensamentos, tantas idéias, tantos argumentos, que muitas vezes eles se embaralham uns com os outros e deixam tudo confuso ou simplesmente uma idéia (que seria trabalhada) se perde no meio de tantas outras.
Ainda agora mesmo, eu tinha algo a dizer, mas as palavras foram embora, como se tivesse passado uma ventania pela minha mente e levado tudo o que poderia ser levado. Só resta lamentar por mais uma idéia perdida. Quem sabe um dia ela volta e diz um “alô”.
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
Hoje vi uma reportagem que me deixou abismado.
Uma criança de doze anos ligou para a polÃcia e relatou a sua situação para o policial.
- Central de PolÃcia. Em que posso ajudar?
- Estou preso na minha casa com minha irmã. Minha mãe nos deixou trancados e ela tá com fome. Precisa de leite. O que o senhor pode fazer pra ajudar?
- Como é o seu nome?
- Miguel.
- Quantos anos você tem? E sua irmã?
- Eu tenho doze anos e minha irmã tem cinco meses.
- Cinco meses? Cadê a sua mãe?
- Ela saiu e nos deixou trancados em casa. Acho que ela foi atrás do ex-marido dela. Acho que ela tem depressão. Já teve até internada.
- E esse telefone é de onde?
- É meu celular. Eu escondi pra ela não ver.
- E não tem como vocês saÃrem.
- Só se eu arrebentar a porta.
- Miguel, sua mãe sempre faz isso?
- Quase sempre. Ela me bate. Tenho marcas. Tô machucado. O que o senhor pode fazer?
Em seguida, o policial e alguns companheiros foram até a residência de Miguel e constataram a situação. Ele e sua irmã estavam desnutridos e sujos.
O que mais me chamou a atenção foi a forma tranqüila que Miguel falava com o policial. Nem parecia uma criança. Normalmente, em sua situação como aquela, uma criança falaria de forma quase desesperada, chorando, soluçando, demonstrando muita preocupação.
Mas toda aquela situação de abandono e violência transformou a infância de Miguel em um pesadelo e ele já parecia acostumado com isso.
O caso agora está nas mãos da Justiça. Eles deverão ficar com o pai ou num orfanato. O que não pode é ficar do jeito que estava.
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
Muitas pessoas não vêem o que se esconde por trás de um simples olhar porque a vida é muito corrida e estamos sempre ocupados.
Muitas vezes, não conseguimos ver que existe alguém do nosso lado, alguém que nos quer bem, que pode nos ajudar.
A nossa vida está tão focada num determinado assunto que não conseguimos expandir esse foco.
É preciso ver o mundo e a vida com outros olhos.
Às vezes, deixamos de agarrar muitas oportunidades porque estamos tão distraÃdos, e a vida e o amor passam sem percebermos.
Outras vezes, um simples defeito (que até pode ser desfeito) é o suficiente para não vermos todo o resto que pode ser tão surpreendente e fantástico, mas nunca veremos por causa do nosso pré-conceito. Só os defeitos e imperfeições são vistos, mesmo quando há muito mais para ser observado.
É preciso ver o mundo e a vida com outros olhos.
Outras pessoas estão à nossa volta e elas têm qualidades que só veremos se deixarmos nosso preconceito de lado.
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
Vi uma reportagem que falava sobre como o ser humano se preocupa com os animais e muitas vezes não se preocupa com os outros seres humanos.
É bem verdade que existem várias ONGs que tem como objetivo a proteção dos animais e do meio ambiente. De vez em quando, passa na televisão salvamento de baleias encalhadas e a prisão de pessoas acusadas de venderem animais silvestres.
Tudo isso é muito interessante e bonito.
A reportagem também falava sobre como é difÃcil conseguir a liberação ambiental de uma grande obra. A hidrelétrica de Estreito, por exemplo, demorou muito tempo para conseguir a licença ambiental do IBAMA. A legislação é rÃgida e traz algumas exigências para a instalação de algumas obras que podem trazer problemas ambientais.
Tudo isso é muito interessante e bonito...
Mas, quando se trata do ser humano, será que a preocupação é a mesma?
Apesar de existirem algumas entidades que defendem os direitos humanos, percebe-se que em geral as pessoas se preocupam mais com animais do que com o próximo. Claro que existem pessoas que se preocupam com outras pessoas, mas o que se vê por aà é uma preocupação maior com o meio ambiente.
E, mesmo assim, essa preocupação com o meio ambiente ainda parece ser insuficiente. Basta ver as constantes tragédias ambientais e as extinções de animais.
Acredito que o ser humano deve se preocupar com as questões ambientais, mas deve se preocupar com mais afinco ainda com o próprio ser humano.
"Ame ao próximo como a ti mesmo". Como é difÃcil cumprir esse mandamento...
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
Alguns dias atrás, vi uma reportagem muito chocante na televisão. Todos os dias passam reportagens chocantes, violentas. Eu procuro nem assistir programas que passam esse tipo de reportagem, mas acabei assistindo.
A reportagem mostrava um pai, vindo a público para pedir desculpas e perdão. O filho dele havia matado a própria namorada depois de uma discussão. O detalhe é que o assassino estava completamente drogado; havia usado crack.
O rapaz que matou a namorada era um músico e já usava drogas há seis anos. Já havia passado por tratamento. A namorada dele sabia da situação e queria ajudá-lo a superar a situação. Talvez sua morte tenha sido causada por que tenha tentado evitar que ele usasse a droga.
Morreu por tentar ajudar o seu próprio namorado.
O assassino disse que não se lembrava de nada, que acordou e viu sua namorada morta. Talvez isso realmente tenha acontecido, como disse um psiquiatra na citada reportagem. Ele disse que isso é muito comum e que alguns presos, depois de muito tempo, lembram do que fizeram e então o pessoal da cadeia chama o psiquiatra para tentar acalmar o detento.
Puxa, fico pensando: a pessoa mata e só depois de muito tempo lembra. Que loucura!!!
Só sei que vi o desespero da mãe da garota morta. É muito sofrimento. Nenhuma palavra do pai do matador vai diminuir o sofrimento daquela mulher e nem trazer a sua filha de volta.
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
Uns dias atrás, Renato chegou em casa cedo e não tinha nada pra fazer. Foi ver televisão. E, no meio de tantos programas sem graça, achou um que considerou interessante. Era um desses programas que registram acontecimentos na área policial.
Ele ficou impressionado com a história da mãe que abandonou seu filho recém nascido no depósito de lixo de uma empresa. Por sorte, um funcionário da empresa achou o bebê ainda vivo depois de dois dias naquela situação. O bebê foi levado ao hospital e sobreviveu. E a mãe? O noticiário informou que ninguém sabia seu paradeiro. Ela foi reconhecida por imagens registradas por câmeras da empresa, mas ainda não havia sido localizada pelos policiais.
Renato já estava quase esquecendo essa história, quando o jornalista, de modo chamativo e extravagante, informou que havia uma matéria bombástica que seria exibida em seguida, após os comercias, é claro.
E Renato aguardou ansiosamente os comerciais porque queria ver que matéria seria mais chamativa do que aquela do filhinho recém nascido abandonado pela mãe.
E depois de fazer um pouco de suspense, o apresentador pediu para que sua equipe colocasse a matéria no ar.
E o que Renato viu o deixou insatisfeito. Ele esperava algo do outro mundo, algo realmente inesperado e original, mas a matéria era totalmente comum para os padrões do Brasil.
Era uma filmagem que mostrava um polÃtico bem conhecido recebendo propina de um empresário do ramo de licitações. A matéria focava o momento em que o polÃtico colocava o dinheiro na cueca.
Renato, indignado com o apresentador, desligou a televisão e foi ouvir um programa de piadas no rádio.
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
Hoje não quero falar de você.
Estou tentando te esquecer.
E por isso devo escrever
sobre o futuro, o envelhecer
ou sobre a violência constante,
a impunidade incessante,
a morte tão temida,
a dor de uma despedida.
Ou sobre a polÃtica nacional,
tudo sempre tão igual,
um partido conservador e outro liberal,
disputando um cargo federal
e as propinas e vantagens indevidas
e as secretárias cada vez mais atrevidas.
Não! Não quero falar dessa roubalheira.
Prefiro escrever sobre uma ratoeira.
E eu quase tinha esquecido:
o terrorismo, sem razão aparente,
transforma sonhos em concreto destruÃdo,
vidas num mar de sangue quente.
Sobre muitas coisas posso escrever,
mas ainda não esqueci de você.
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
Uma manchete do jornal da manhã informava que um latrocÃnio havia ocorrido. Um sujeito havia matado uma jovem mulher para roubar mil reais que ela havia sacado no banco.
Esse tipo de crime acontece quase todos os dias e parece que ninguém quer dar uma solução ao problema. Rondas constantes da polÃcia já ajudariam muito.
Mas o que mais chamou a atenção da população é que o sujeito que matou a mulher já tinha cinco passagens pela polÃcia, duas por roubo, uma por porte ilegal de arma e duas por tráfico de drogas.
Um cidadão indignado falou com a repórter:
- Como é que pode um sujeito desses estar solto?
E a repórter não sabia o que dizer e nem o policial que estava ali dando esclarecimentos.
Finalmente, a repórter entrevistou um especialista em segurança e ele citou o artigo 5°, inciso LVII, da Constituição da República, que afirma que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.
Citou também o artigo 5º, inciso LXI, que estabelece que ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente.
- Por essa razão, todos são considerados inocentes até o trânsito em julgado da sentença. Esse sujeito deve ter pago uma fiança ou ter conseguido um habeas corpus. Infelizmente, nosso sistema penal ainda tem essas falhas. Criminosos reincidentes ficam livres por causa dessas garantias fundamentais – disse o especialista.
- Mas essas garantias não deveriam beneficiar somente os cidadãos de bem? – perguntou a repórter.
- A lei não faz distinção. Qualquer um pode ser beneficiado. Esse é preço de um Estado Democrático de Direito.
Nesse momento chegou o marido da falecida completamente desesperado. Ele nunca iria entender a explicação do especialista. Por ele, o assassino nunca deveria ter sido posto em liberdade provisória.
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
A sorte começava a mudar para Augusto. A sua vida de azar parecia ter ficado para trás quando conheceu AlÃcia.
Logo ele que havia desperdiçado várias oportunidades de mudar a sua vida para melhor.
Mas logo que a conheceu, sentiu algo extremamente especial em seu coração, como se soubesse que ela era a escolhida, a tão esperada mulher de sua vida.
Conheceram-se meio que por acaso e seus caminhos quase sempre se cruzavam e tudo que ele falava era um "oi", "bom dia". Então, uma semana depois da primeira vez que a viu, teve coragem suficiente para falar com ela e a convidar para um jantar. Ela ficou surpresa e sorridente e aceitou o convite.
Naquela noite, começaram o relacionamento. Ele queria algo sério e ela também. Parecia que haviam sido feitos um para o outro. Almas gêmeas, como dizem.
A sorte de Augusto mudou. Oportunidades apareceram e ele não as desperdiçou. Começou a trabalhar e a ganhar um bom dinheiro. Ganhou até na loteria (na quina) o valor correspondente a R$ 51.853,26. Comprou um belo carro, pois ele já tinha uma casa para morar.
No fim do ano, decidiram ir para Búzios e passaram o melhor réveillon de suas vidas. Tudo estava tão perfeito. Foi tudo perfeito.
Na volta para casa, Augusto estava tão feliz. Dirigiu devagar. Não tinha nenhuma pressa. Mas numa ladeira outro carro fez uma ultrapassagem perigosa e veio direto na direção de seu carro. Não deu tempo nem de desviar.
Todo o mecanismo de segurança do carro não serviu para nada. Augusto e AlÃcia morreram na hora. Parece mesmo que tinham sido feitos um para o outro.
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
Era noite. Estava chovendo. Raios e trovões se perdiam pela noite escura.
De repente, faltou energia. Carlos estava só em casa. Seus pais estavam trabalhando. Eram professores.
Ele era um garoto de apenas 16 anos e começava a ficar com medo.
Nesse momento, tentou encontrar uma vela para acendê-la. Ligou seu celular para clarear um pouco à sua volta. Assim, conseguiu pegar uma vela e o isqueiro. Acendeu então a vela e ficou um pouco mais tranqüilo.
Foi aà que escutou alguns barulhos estranhos pela casa e se lembrou de que havia se mudado há apenas um mês para aquela casa e que os vizinhos haviam falado que os antigos moradores eram estranhos e sempre ouviam barulhos e vozes.
Carlos estava inquieto, com muito medo. E então ouviu um barulho mais estranho ainda vindo da porta da frente. Era um ruÃdo baixo, mas assustador.
Carlos sentiu seu coração bater acelerado. Nunca tinha sentido tanto medo. Começava a acreditar que a casa era mal assombrada.
Foi então que seus pais chegaram e, quando entraram, viram que Carlos estava muito assustado.
- O que foi, filho? – perguntou sua mãe, apreensiva.
- Você não viu o que tinha lá fora? A casa estava fazendo barulhos estranhos.
- Filho, não havia nada lá fora, só o Tob, que estava querendo entrar – sua mãe o abraçou. – Não há motivo para pânico.
Tob, o cachorro da famÃlia, estava fora da casa, numa área protegida da chuva, passando a pata sobre a porta, querendo entrar na casa, pois estava com frio.
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
Uma loja de uma empresa de telefonia móvel estava cheia de clientes e havia uma fila de espera; tinha até senha para atendimento.
Um dos empregados da loja atendia a todos prontamente, dando sorrisos e falando cordialmente com todos.
Outro empregado, ao contrário, atendia aos clientes de maneira rude, como se não estivesse gostando nem um pouco do que estava fazendo.
Uma senhora observava tudo atentamente, enquanto não chegava o seu atendimento.
Chegou a sua vez e o empregado, com a cara amarrada e demonstrando um pouco de preguiça, disse:
- Senhora, já estamos fechando. Não poderemos atendê-la. Passe aqui amanhã de manhã que seu problema será resolvido.
- Mas ainda faltam vinte minutos para o final do expediente... – argumentou a senhora.
- Exatamente. É que eu preciso fechar o balanço do dia – disse apontando a saÃda, gesticulando para que a mulher fosse embora.
- Amigo, se fosse sua mãe no meu lugar, como você me trataria? – perguntou a senhora educadamente.
- Da mesma maneira. Estamos fechando...
- Eu sei que vocês não estão fechando. Você deveria arrumar uma desculpa melhor para não querer trabalhar – disse a mulher ainda educadamente.
- Mas nós estamos mesmo fechando, senhora – o empregado falou quase gaguejando.
- Você deveria aprender com o seu colega a tratar as pessoas com educação e respeito. Vou sugerir a sua demissão ao gerente.
A senhora saiu, falou com o gerente, que veio comunicar ao empregado que ele seria despedido. A mulher que ele atendeu era a gerente geral da empresa no estado.
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
Agenor, servidor da Justiça, chegou cedo ao trabalho, bateu o ponto, conversou um pouco com seus colegas, fez umas piadas sobre futebol e depois começou a trabalhar.
Era um dia normal e as pessoas chegavam para as suas audiências e lotavam as dependências do Juizado.
De repente, uma pessoa chegou, quase desesperada, perguntando quando seu processo ia ter um fim.
– Moço, o gás lá de casa acabou. Tô precisando desse dinheiro.
O servidor, muito calmo e tentando ser o mais claro possÃvel, disse:
– Meu senhor, se você for depender do dinheiro desse processo para colocar gás na sua casa, sua famÃlia vai passar fome. Esse dinheiro, se sair mesmo, ainda vai demorar um poquin.
Enquanto Agenor falava, outro servidor achava graça da situação, caindo na gargalhada. E pensou se não fosse trágico, seria cômico. O senhor não acreditou muito no servidor e decidiu que queria falar com o Juiz.
– Pois eu vou falar com o Juiz. Ele tem que resolver meu caso. É urgente. Eu tô precisando.
O servidor, ainda mantendo a calma, tentou esclarecer mais uma vez a situação:
– Meu senhor, você vê esses processos? – o servidor mostrou uma prateleira cheia de processos. – Todas essas pessoas estão precisando, talvez até mais do que o senhor.
– Mas o meu caso é urgente...
– Eu entendo, senhor. Eu vou tentar analisar o seu caso esses dias, mas não garanto que o senhor vá ganhar a causa. E, mesmo que o senhor ganhe, pode ser que demore um pouco para o senhor receber esse dinheiro. Eles podem recorrer, não pagar, retardar...
– Ô, meu Deus, eu pensei que esse dinheiro já tava garantido; já até comprei umas coisas confiando nesse dinheiro. O advogado me disse que essa a gente ganhava fácil...
– Ganhar é uma coisa. Pegar o dinheiro é outra coisa. Às vezes, tem gente que ganha, mas não leva. O senhor não devia comprar coisas confiando num dinheiro que pode nem sair.
O senhor já estava ficando mais do que desesperado e parecia não compreender a situação.
– Pra ficar bem claro, senhor, eu vou analisar seu processo, vou levar pro Juiz, que vai dizer se você tem razão ou não. Se o senhor tiver razão, a outra parte pode recorrer e aà vai demorar mais um pouco. Se não recorrerem, ai eles tem o prazo para pagar. Se eles não pagarem, o senhor vem aqui e pede a penhora. Feita a penhora, eles ainda podem impugnar, e ai pode demorar mais um pouco...
– Meu Deus, só devedor tem direito nesse paÃs... O senhor, já com a idade avançada, saiu desconsolado, sem saber como pagaria o gás de sua casa.
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
Clara havia acabado de sair do banco. Tinha passado exatos quarenta e cinco minutos pra pagar uma conta atrasada, que só poderia pagar ali. Ela ainda não entendia por que tinha que esperar tanto tempo pra pagar uma conta, afinal ela era cliente e o credor é que deveria estar correndo atrás do dinheiro, facilitar a forma e o tempo de pagamento.
Mas ela já havia esquecido isso, quando entrou numa loja de roupas, querendo comprar o vestido que ela tanto sonhava. Nesse momento, apareceu uma moça, uma vendedora cheia de sorrisos.
Clara foi direto ao vestido. Ela já sabia o preço, mas perguntou mesmo assim.
– Trezentos e cinquenta reais – disse a vendedora, sem dar muito crédito à Clara, talvez por que Clara não estivesse bem vestida, ou por que Clara era negra ou simplesmente por que aquele vestido era o mais caro da loja.
– Qual é o desconto? – perguntou Clara, sabendo que não teria nenhum desconto.
– Esse é o preço para pagamento à vista ou no cartão – disse a vendedora, já olhando para a madame que chegava toda arrumadinha, olhando as primeiras peças da loja. – Enquanto você escolhe, vou atender aquela mulher – disse, demonstrando um pouco de insatisfação por atender Clara, como se soubesse que ela não compraria nada.
– Espere. Eu já escolhi. Eu quero esse vestido. Onde posso experimentar?
A vendedora, meio surpresa, indicou o vestuário e saiu rapidamente para auxiliar a madame, que olhava quase tudo e ia selecionando vários itens para experimentar, porém não comprou nenhum.
Então, Clara, que demorou no vestuário porque estava visualizando o vestido em todas as posições possÃveis, saiu do provador e disse à vendedora que o vestido estava perfeito. Queria levá-lo. Ia pagar com o cartão de crédito.
A vendedora demorou para acreditar quando percebeu que o cartão tinha saldo suficiente. Olhou novamente para Clara, surpresa e desnorteada, e lhe entregou o vestido.
Clara saiu da loja quase chorando. Só não chorou porque já havia passado por situações piores.
A vendedora sentiu-se estranhamente vazia e, ao mesmo tempo, cheia de preconceitos. Teve vontade de chorar.
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.
Era um dia normal, um dia como qualquer outro. Gustavo resolveu sair com os amigos. Eram umas duas horas da tarde e eles decidiram beber um pouco.
Lá pelas cinco da tarde, quando eles já tinham bebido e se divertido bastante, Gustavo decidiu que queria ir para outro lugar; beber mais um pouco.
Os seus amigos não queriam deixar Gustavo dirigir, afinal ele tinha bebido demais, mas Gustavo insistiu tanto que seus amigos deixaram.
Enquanto isso, algumas crianças brincavam de bola numa rua distante e sem muito movimento. Elas se divertiam com a sua inocência ainda intacta.
Gustavo saÃa do bar em que estava e trafegava no seu carro novo pelas ruas da cidade a toda velocidade. Ele não costumava fazer isso. Era um sujeito comportado e pacato, mas quando bebia ficava impulsivo e descontrolado.
A mãe de Leonardo, uma das crianças que brincava de bola, gritou:
– Menino, vem pra casa. Sai do meio da rua.
E Leonardo saiu da rua no instante em que Gustavo dobrou e colidiu com três crianças, que morreram no mesmo instante. O impacto foi tão forte que as crianças foram arremessadas a dezenas de metros de distância.
Enquanto Gustavo fugia, ninguém se lembrou de anotar a placa do carro porque estavam muito preocupados em socorrer os garotos acidentados.
Naquele momento a dor era maior. Havia um desespero no ar. Os culpados podiam esperar. Logo seriam identificados, pois o carro de Gustavo era o único do modelo na cidade.
Diego Morais Viana,
Analista Judiciário do 1º JECÃvel de Imperatriz.




Diego Morais Viana, nascido em Imperatriz/MA, Analista Judiciário do Tribunal de Justiça do Maranhão, formado em Direito pela Universidade Federal do Maranhão.
Contato: diegomorais21@hotmail.com

Cidade: Imperatriz, Maranhão
27° C(Nublado) |
Min. 22° Máx. 32° |
| CLIMATEMPO | |



